ERDNASE TRADUZIDO – PARTE 1

ATUALIZADO EM 08/04

LEIA O DISCLAIMER DO PROJETO AQUI

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É com muito orgulho que inicio este novo (e ambicioso) projeto aqui no Blog Água & Azeite, a tradução do livro “The Expert at the Card Table” de S.W. Erdnase, para o português. O objetivo, longe de revelar segredos, é divulgar esta obra fantástica e que serviu de pedra angular para a cartomagia moderna.

A tradução foi toda feita por mim, e será publicada em partes conforme o tempo e as atribuições do dia-a-dia me permitirem. Algumas frases foram adaptadas para melhor compreensão do texto, porém o sentido foi mantido inalterado.

Lembrando, por fim, que este é um livro de 1902, portanto existem muitas frases, conceitos que nos são estranhos – tanto pela época, como pela cultura e até pelo zeitgeist. Por isso, se algum trecho for difícil de entender, deixe saber através dos comentários. Isso ajudará a melhorar cada vez mais o trabalho. O mesmo para eventuais erros de tradução.

Sem mais delongas, segue abaixo a primeira parte de milhares que virão por aí.

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FICHA TÉCNICA

Título: “O especialista na mesa de carteado” (The Expert at the Card Table)

Autor: S.W. Erdnase (???? – ????)

Ano de publicação: 1902 (1ª Edição)

Editora: Edição própria (1ª Edição)

Páginas: 205 (1ª edição)

Ilustrado por: M.D. Smith

País: Estados Unidos

– Æ –

PREFÁCIO

Ao oferecer este livro ao público, o escritor não usa sofismas como desculpa para sua existência, a hipocrisia de jogadores reformados (?), ou copiosas e rebuscadas pretensões de piedade não são impostas como uma justificativa para transmitir o conhecimento que ele contém. Para todos os amantes dos jogos de cartas, este livro deve se mostrar interessante, e como base para o entretenimento com cartas é praticamente inesgotável. Pode servir como um aviso de cautela aos incautos e que são ingênuos aos engano, como pode inspirar o astuto pela iluminação no artifício. Pode demonstrar ao novato que ele não pode vencer um homem em seu próprio jogo, e pode permitir que os habilidosos em trapaça façam um curso de pós-graduação dos mais elevados e mais artísticos em sua área de vocação. Mas este livro não tornará os inocentes em viciados, nem transformará o passatempo em uma atividade profissional; tampouco fará o tolo sábio, ou restringirá a colheita anual de otários. Mas seja qualquer que seja o resultado, se este livro vender, vai realizar o motivo principal do autor ao escrevê-lo, pois ele precisa do dinheiro.

-Æ-

INTRODUÇÃO

A paixão pelo jogo é provavelmente tão antiga e tão duradoura quanto a raça humana. Alguns de nós são muito tímidos para arriscar um dólar, mas a porcentagem de pessoas nesta nação febril que não gostariam de ganhar um dólar é muito pequeno. A paixão culmina no profissional que prefere jogar do que comer. Ganhar não é seu único deleite. Alguém observou que há um prazer na vida maior do que ganhar, ou seja, saber que está em risco.

Ser bem sucedido no jogo é tão difícil quanto ter sucesso em qualquer outra área. As leis do acaso são tão imutáveis quanto as leis da natureza. Se todos os jogadores dependessem somente da sorte, eles estariam falidos no final do dia. O jogador de cartas profissional pode desfrutar da sorte média, mas é difícil encontrar alguém que pensa desfrutá-la permanentemente, e é certamente maravilhoso como a simples sorte, por vezes, derrota a mais forte combinação de inteligência e habilidade. É quase um axioma: um novato vai ganhar na sua primeira aposta. Uma criada negra de uma casa de jogos, ouvindo uma discussão sobre conseguir duas mãos boas no pôquer, arriscou a seguinte interpolação: “Não se preocupe por não ter duas mãos seguidas, Chefe. Os otários certamente terão uma mão melhor, certo?” E muitos jogadores antigos acreditam na mesma coisa. No entanto, os caprichos da sorte, ou do acaso, ainda impressionam o jogador profissional que possui um certo conhecimento, o qual seu irmão mais respeitado na bolsa de valores já possui, a saber – manipulação é mais rentável do que especulação; assim, para poder juntar as duas coisas, e ganhar um bom dinheiro, ele também desempenha o seu papel com as tesouras quando os cordeiros chegam ao mercado de ações.

O risco do jogo traz sensações que, uma vez apreciadas, raramente são esquecidas. Os ganhos são conhecidos como “bom dinheiro”, e geralmente são gastos tão livremente como a água. O profissional médio que é bem sucedido em seu próprio jogo, com a mais sublime despreocupação, aposta o dinheiro dele contra o de outro, embora esteja plenamente consciente de que as probabilidades estão contra ele. Ele desconhece o valor real do dinheiro e, em regra, é generoso, descuidado e imprudente. Ele ama o perigo ao invés das apostas. Na verdade, a principal diferença entre o apostador profissional e o jogador casual, é que o primeiro é conhecido pelo seu amor ao jogo, e o segundo por sua cupidez (inocência). Um profissional raramente “entra em desespero” quando acontece o pior; já o homem que tem outros meios de vida é um perdedor mais difícil.

Qualquer vantagem que, em última análise, possa dar uma percentagem a favor do profissional são absolutamente essenciais à sua existência, e os meios empregados na mesa de cartas para obter essa vantagem serão completamente elucidados neste trabalho. Nós não fomos impelidos em nossa tarefa pelos escrúpulos de uma consciência culpada, nem pela esperança de reformar o mundo. Um homem não pode mudar seu temperamento, e poucos se preocupam em controlá-lo. Enquanto a paixão pelo risco existir, ele encontrará gratificação. Não temos queixa contra a fraternidade, nem simpatia pelas chamadas “vítimas”. Uma vasta experiência nas mesas nos deu a impressão de que todos os homens que jogam por apostas consideráveis estão sempre procurando pelo melhor. Nós daremos os fatos e as condições acerca deste assunto conforme avançamos, embora admitamos com certo pesar que o nosso próprio conhecimento inicial foi adquirido com o costumeiro custo excessivo para os não iniciados.

Quando falamos de jogadores profissionais, não nos referimos aos proprietários ou gerentes de casas de jogos. A porcentagem a seu favor é de uma razão bastante conhecida, ou pode ser rapidamente calculada, e seus lucros são os mesmos que qualquer empresa. Nos locais onde as autoridades civis admitem essas instituições, elas são conduzidas por homens de posição bem conhecida na comunidade. As mesas de carteados pagam uma porcentagem ou “por fora”, e a gerência oferece um “cuidado” para a proteção de seus clientes. Nos locais onde as salas de jogos devem ser conduzidas em segredo, a probabilidade de que as chances aparentes do jogador sejam diminuídas são muito maiores. No entanto, nosso objetivo é dar conta da porcentagem desconhecida que devem estar a favor do jogador profissional, a fim de lhe permitir viver.

Há uma grande diferença entre os métodos empregados pelos cartomágicos em mistificar ou divertir o seu público, e aqueles praticados nas mesas de cartas pelos profissionais, pois, neste caso, toda a conduta deve estar em perfeita harmonia com o procedimento habitual do jogo. A menor ação que pareça irregular, o menor esforço para distrair a atenção, ou o primeiro movimento antinatural criará suspeitas; e a mera suspeita vai acabar com a empreitada, pois ninguém mais, além de um completo imbecil, vai, conscientemente, querer jogar contra chances maiores do que o habitual. Há sim uma única maneira de garantir a proteção absoluta contra vantagens desconhecidas, qual seja, nunca jogando por dinheiro. Porém, uma perfeita compreensão dos riscos que são assumidos, pode ajudar muito na diminuição das baixas. Uma relação íntima com o modus operandi dos artifícios usados nas mesas de carteados não detecta, por si só, a manipulação, mas certamente tornam iguais as chances de se proteger contra elas e, com esta cognição, a mera suspeita do uso de habilidades deve imediatamente produzir instintos de fuga. Este conhecimento ou compreensão total das habilidades de um jogador de cartas profissional somente poderá ser transmitido através de ilustrações práticas dos processos empregados e, desejando o leitor uma compreensão completa deve ter um maço de cartas na mão e praticar para si mesma a ação, tal como ela é descrita.

Para discriminar e mostrar claramente as duas fases da manipulação de cartas, a primeira parte deste trabalho é dedicada a exaustiva revisão das muitas vantagens que podem ser, têm sido, e são constantemente usadas nas mesas de carteado, e para os métodos específicos de obtenção destas vantagens que são menos prováveis de levantarem suspeitas. A maneira exata em que cada artifício é executado é totalmente descrita em minúcia. A segunda parte descreve as manipulações empregadas em conjurações e vários truques de cartas bastante interessantes.

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