MAS QUE ORIGINAL!

Ensaio escrito por Daniel Fazzio

– Æ –

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William Seven e Juan e Alejandro. Dois “Grand Prix” brasileiros no Flasoma. Resultado inédito!

Mas que original!

Antes de mais nada quero dar os parabenizar os quatro brasileiros premiados no Flasoma 2017 em Buenos Aires: Juan Araújo, Alejandro, Luiz Fosc e William Seven.

Em segundo lugar, ainda mais importante que dar os parabéns, faço questão de agradecê-los assim, publicamente, pois eles fizeram muito, mas muito mesmo, pela Mágica Brasileira. Fizeram tanto, que talvez ainda nem tenham se dado conta da extensão e do impacto de suas premiações em todos nós, brasileiros que praticamos e amamos verdadeiramente esta Arte.

Fizeram tanto, que fica até difícil saber por onde começar a escrever.

Com suas premiações, o mais evidente, é que mostraram que sim, há artistas de ponta no país e que também há mágica de qualidade sendo produzida por aqui. Nos últimos anos, sempre houve o pensamento de que nós brasileiros, estávamos sempre um passo atrás de nossos hermanos latino americanos. Agora fica evidente que isto ou é conversa fiada ou é passado. Temos verdadeiros artistas no Brasil.

Mas o maior e melhor aspecto destas conquistas é a reflexão que elas nos trazem.

A primeira delas é que, com dedicação verdadeira, que inclui treinos, ensaios, muito estudo, leituras, conversas com outros mágicos e brainstorms sem medo, você poderá ser um mágico muito melhor. Com essa dedicação, você pode se transformar em um mágico de exemplar nível técnico e criativo. Logicamente, alguns precisam de mais dedicação nos treinos, outros precisam nos estudos, mas é possível melhorar, e muito, a qualidade da mágica que fazemos. Sim, a qualidade da mágica que NÓS fazemos. Todos nós podemos (e devemos) nos aprimorar, incluindo eu, você e todos os nossos amigos mágicos. É pensando assim que faremos florescer a Arte Mágica no Brasil. Potencial para isso existe. Principalmente em você, afinal, você é a única pessoa que você mesmo pode fazer se dedicar. Mas (sempre tem um mas), se você caiu na armadilha do seu ego e sentiu inveja ao invés de felicidade (que feio, hein, amiguinho!) pela conquista dos caras, precisa rever seus conceitos. Esses caras são exemplos de dedicação, esforço e entrega à Arte. E você, tem feito o mesmo? Qual foi o último livro que leu? Qual foi a última vez que parou para analisar suas rotinas, fazendo uma autocrítica sincera? Quando foi seu último ensaio? Certeza que você não pode fazer mais pelas suas rotinas? Aposto que sim! Assuma esse compromisso com você mesmo: serei um mágico cada vez melhor.

Mas a segunda reflexão é ainda mais profunda. Além de toda essa dedicação, o que os diferenciou dos outros mágicos do evento? Ou melhor, o que os faz diferentes da maioria dos mágicos?

Além da técnica perfeita, da intepretação muito bem trabalhada, foi aquilo que acredito ser a real força de seus atos: a originalidade. Eles foram felicíssimos na criação dos conceitos, do argumentos e rotinas. Mas foram verdadeiramente originais na criação de algo que a maioria dos mágicos sequer tem: seus personagens. Acredito, pelo que li e pelo me foi contado, pois não estava lá, que as grandes forças motrizes de seus atos foram seus personagens e a história a ser contada.

Aqui cabe um parênteses: eles não foram apenas diferentes ou apresentaram algo inéditos e nunca visto.

Eles foram originais. E quando digo originais, é no sentido real da palavra: foram buscar algo em suas origens como pessoas e também como artistas mágicos. Talvez a memória do primeiro mágico que viram na infância, talvez uma visão mais crítica sobre as pessoas e aquilo em que elas acreditam, ou então o maravilhamento diante de uma grande e transformadora epifania. É por isso que eles foram diferentes: porque falaram algo que lhes é importante e verdadeiro. Não é só o entretenimento por si próprio, ainda que muito agradável e bem executado. Eles livraram-se de amarras, de conceitos antigos, de fórmulas e formatos previamente aceitos como sendo o padrão ideal. Eles transmitiram, com muita arte e apuro técnico, um pouco deles mesmos, o seu jeito de ver a mágica, não como só como artistas, mas também como pessoas. E isso é Arte com “A” maiúsculo. Mas (outro mas), você, meu amigo, já sabe: para isso é preciso se dedicar. É preciso tentar. Haverão erros, haverão acertos. Haverá a canseira, a dúvida, a incerteza. Mas também existirá você, seu amor pela Arte Mágica e sua força de vontade.

Eles se dedicaram e, por isso, permitiram-se viver uma emoção que nós, meros mortais, provavelmente não conseguimos conceber.

Dedique-se. E permita-se, quem sabe, viver isso um dia também.

2 comentários sobre “MAS QUE ORIGINAL!

  1. Concordo muito com tudo que você disse, Leonardo. Precisamos de mais criação e menos reprodução, mais coragem de investir no novo e menos repetição do mesmo. A arte mágica e o público agradecem! E- só para reforçar os argumentos que você tão bem nos apresenta- o artista se completa na relação com a plateia, e, para isso, é preciso ampliar a percepção, os sentidos e nunca subestimar a inteligência, a sensibilidade e a capacidade de entendimento da assistência. O público não é o “outro”, ele é parte do artista. Parabéns aos premiados e a você por este primoroso texto.

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  2. Fazzio, obrigado pelos cumprimentos e parabéns pelo belo texto. Mais do que a gratificação pessoal que esse prêmio nos trouxe, espero que sirva realmente para inspirar outros colegas a levarem nossa arte adiante com dedicação e qualidade.

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