QUANDO UM TRAPACEIRO VENEZUELANO PERDEU (E FICOU ETERNIZADO POR ISSO)

Artigo original escrito por Ernesto J. Navarro

Enviado a mim, por Juan Araújo

Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade.

Sócrates

– Æ –

Félix Vargas Chacón era um excelente jogador de cartas. Mais do que isso, era um exímio trapaceiro.  Nascido em 3 de abril de 1916, na Venezuela, Félix fez sua fama pelos cassinos do Caribe e no submundo dos jogos e trapaças. O homem era uma lenda.

Quando ainda era criança, seu pai abandou o lar por questões de segurança. Revolucionário, participou de um movimento que tentou tomar o controle da cidade das mãos do Governo Federal. O grupo falhou e, por isso, teve que passar anos escondido na clandestinidade.

Ao voltar para a legalidade, o pai pede que todos os filhos ajudem no sutento da casa. A Félix foi sobrou o encargo de capitanear uma goleta, uma pequena embarcação à vela, que levava os turistas em um passeio até a Ilha de Margarita, no norte da Venezuela.

Félix Vargas Chacón

– Æ –

“MÃE, VOU CONQUISTAR O MUNDO!”

Aos 14 anos, Félix, havia adquirido gosto pelos jogos de azar e em uma certa noite, possivelmente após beber muito e farrear ainda mais, decidiu abandonar a embarcação para um “passeio”. Quando voltou percebeu que a adega do barco havia sido roubada. Seu pai o afastou das funções no barco, foi quando decidiu sair pelo mundo atrás de aventuras.

Mãe, vou conquistar o mundo!” Essa foi a despedida de Félix para a sua mãe. Ele deixou a sua cidade e viajou até a capital, Caracas. 400 km ao longo do mar do Caribe. Foi em Caracas que Félix comeceu a tecer, o que ele mesmo chamou de: “sua desordenada vida”.

Félix era gentil e encantador. Possuía um carisma natural. “Ele era capaz de lhe vender algo que você sequer tinha a intenção de comprar” conta o escritor venezuelano José Roberto Duque. Isso, somado à sua exímia habilidade de prestidigitação com cartas, transformaram Félix rapidamente no mais famoso e requisitado jogador de cartas, ou na língua nativa, tahúr, em todo o Caribe.

Ele era do tipo que lograva os ricaços e os cassinos. Basicamente aqueles que realmente não precisavam do dinheiro que perdiam. Dessa forma, acabou levando uma vida de ‘playboy’. Com suas habilidades para o ‘baccarat’ logrou viver de roubar os milhonários do Caribe“, conta Duque.

Uma pequena amostra de seu estilo de vida foi divulgado pela imprensa venezuelana em 1950. Após ser detido em Caracas, acusado de cometer um golpe, o jornal “El Nacional” publicou uma nota com o seguinte frase: “Ele era o estrangeiro mais bem vestido no México, nos últimos três anos.” Nos anos mais ativos de sua “profissão” como tahúr entrou e saiu da Venezuela tantas vezes quanto entrou e saiu da prisão.

– Æ –

LA MEDICINA

Félix era um mestre nos truques com cartas e nas trapaças dos jogos de azar. Seu objetivo era simpless: lucrar o máximo possível. Em sua biografia, Félix relata que seu mais famoso golpe foi batizado de “la medicina” (“a droga”, em tradução livre).

A primeira coisa que Félix fazia era identificar empresários com empresas legalmente constituídas, mas que trabalhavam com contrabando. Se aproximava dessas pessoas, ganhava sua confiança e as estudava a fundo.

Félix dizia que as pessoas com mais estudo fazem mais perguntas, mas também creem mais facilmente a tudo que lhe respondem. Eles também não refaziam perguntas, com medo de passarem por ignorantes. Certamente uma vantagem para os golpes de Félix e uma valiosa lição até hoje.

Depois de um tempo, Félix realizava a trampa. Juntamente com três comparsas alugava alguns quartos em hoteis distintos. Juntamente com a vítima, chegava ao primeiro hotel, e um dos sócios dizia possuir dois quilos de cocaína. Félix pedia para 20 gramas já que não tinha dinheiro para comprar maior quantidade. O comparsa aceitava “vender” essa quantidade irrisória, apenas porque conhecia Félix. Féliz entregava o dinheiro e recebia um pequeno papelote de papel alumínio lacrado. Eles então saíam do hotel.

Dirigiam-se então ao segundo quarto. Nesse interim o primeiro vendedor comunicava um segundo comparsa que encontrava-se casaualmente com Félix, fingindo ser um consumidor desesperado por uma dose. Félix dizia que não podia vender a droga para ele, até porque só tinha um papelote pequeno. O comparsa oferecia então à Félix o dobro do que este havia pago pelo papelote de cocaína (que na realidade era bicarbonato de sódio).

Ato seguinte, o comprador-comparsa, alegando dificuldades de conseguir a droga, prometia pagar generosamente por uma quantidade maior. Félix e a vítima voltavam ao primeiro quarto de hotel e o tahúr tratava de pedir os dois quilos de cocaína fiado. Como Felix era menor de 90 anos e não estava acompanhado dos pais, a oferta era, obviamente negada.

Vendo a possibilidade de ganhar dinheiro fácil e rápido, a vítima, movida pela ganância, aceitava por seu próprio dinheiro no negócio. Quando se dirigiam ao econcontro do usuário para vender-lhe a droga, eram interceptados por um policial de verdade, porém comparsa de Félix. Ele dava voz de prisão aos homens, mas para evitar problemas burocráticos, topava deixá-los ir embora, se lhe entregassem a droga e prometessem nunca mais se envolver com aquilo. A oferta era prontamente aceita. Assim, se perdia a droga, o papelote e o dinheiro já estava pago. Essa receita rendeu a Félix, milhares de dólares.

– Æ –

UMA BOA VIDA

Seus golpes sempre lhe renderam grandes cifras de dinheiro, o que facilitou a sua entrada na alta sociedade, em especial nos círculos políticos e de entretenimento na Venezuela, México, Cuba, Costa Rica, Curaçao, República Dominicana, entre outros países. Em suas memórias, garantiu ter conhecido Fidel Castro quando este estava na iminência de tomar a ilha. Conheceu também Che, Raúl e outros guerrilheiros.

Suas memórias aliás, viraram um livro, publicado ainda na década de 1970. Está recheado de histórias fantásticas como da fuga de uma prisão mexicana em meados de 1953 a bordo de um Cadillac zero quilômetro junto com uma aeromoça. Um roteiro de filme, sem dúvidas. Outra história curiosa foi quando conheceu a sua esposa durante uma luta de boxe entre dois campões olímpicos.

Félix viveu uma vida de extremos: cercou-se de homens bons e homens maus, heróis e delinquentes, gregos e troianos, segundo suas próprias palavras. Esses contatos lhe abriram portas. Instalou no México alguns cabarés que serviam à nata da sociedade. Todos queriam beber com Félix.

– Æ –

UM NOVO TRAPACEIRO ARREPENDIDO

Félix conta em seu livro suas aventuras, mas também fala de sua “conversão”. Após o casamento se arrepende de seus crimes e se dedica a emendar a sua vida, e a instruir os demais sobre os perigos dos jogos de azar e das drogas. A história se repete

Seu livro no fim das contas, serve tanto como relato biográfico, como uma grande e completa reportagem sobre a delinquencia e o mundo interno dos cassinos e jogos de azar.

No fim das contas foram quarenta anos de delitos. Félix sempre reconhecera que grande parte de sua sorte estava embasada nos contatos políticos que havia colecionado ao longo dos anos. também sabia que suas histórias poderiam servir de lição para outros. Não a toa, todas as três edições do livro sempre constaram como esgotada. mesmo hoje, é difícil de achar uma cópia. A que está disponível na Biblioteca Nacional da Venezuela, está guardada no acervo “raros”.

Na Venezuela, um livro com boas vendas vende algo entre 2.000 e 3.000 cópias. O livro de Félix vendeu 65.000. Seus livros vendiam como pão quente, pois não contavam apenas a história do mais universal tahúr da Venezuela, mas a história de Cuba de Batista e a decomposição da própria Venezuela.

Não houve tahúr como ele no Caribe, com uma habilidade inata para a psicologia. Conhecia a fundo suas vítimas. Mas também era humano e bondoso. Era dificil desgostar de quem roubava homens de colarinho branco e outros delinquantes“, contou seu amigo, o poeta Juan Calzadilla.

– Æ –

A MORTE E A ETERNIZAÇÃO DO TAHÚR

No fim de sua vida, Félix Vargas Charcon, vivia uma vida pacata e expressava com uma ponta de tristeza: “Vivi ladrão em um mundo de honrados; agora sou um honrado em um mundo de ladrões.

Félix faleceu em janeiro de 2014. Tinha 98 anos.

Um dia, um “argentino manco” resolveu contar para o mundo a história de Félix, usando para tanto apenas sua elegância e sua mão esquerda. O resultado, podemos contemplar abaixo:

 

Quando Félix decidiu sair de sua cidade natal, Cumaná, e conquistar o mundo, ele acabou fazendo uma profecia acerca de si mesmo, ao despedir-se de sua mãe. Como todo nascido em Cumaná, Félix era um cumanês. E foi com esse apelido gentílico que criou para si a figura de um exímio tahúr que viria a conquistar o mundo. Félix Vargas Chacón era “O” Cumanês.

Memórias de "el cumanês"
Livro autobiográfico de Félix Vargas Chacón

ROBERT-HOUDIN, UMA FRAUDE!*

Minhas investigações deram origem apenas ao mais amargo e mais triste desapontamento. Desprovido de seu véu romanceado, Robert-Houdin se mostrou, sob a luz intransigente dos fatos puramente históricos: um mero fingidor, um homem que enriqueceu sob o trabalho de outros pessoas, um mecânico que, petulantemente, roubou as invenções dos mestres artesãos que lhe precederam.” – Harry Houdini (1906)

– Æ –

Harry Houdini amava sua mãe. Mas havia uma coisa que provavelmente ele amasse mais do que a velha Cecília Weiss: publicidade. Harry amava a publicidade, amava ser reconhecido, invejado e até mesmo odiado. Ele encarnou a expressão “não existe publicidade ruim” inventando inúmeras formas de ser lembrado pelo público; algumas falharam, é verdade, mas a maioria de suas estratégias provou-se um verdadeiro sucesso.

Uma das formas preferidas de publicidade de Houdini era o apelo à emoção. Toda vez que Houdini apresentava-se em uma cidade que abrigava o túmulo de um mágico, ele fazia questão de visitá-lo. Acompanhado de um enorme séquito de repórteres e fotógrafos, Houdini prostrava-se junto à lápide do mágico, descobria a cabeça, baixava sua fronte e deixava-se fotografar em silêncio, contemplando o túmulo. No dia seguinte os jornais locais estampavam a notícia de que “o grande escapista prestara uma homenagem ao já falecido mágico”. O público se emocionava e simpatizava com Harry e com o respeito que ele demonstrara. A gratidão do público se fazia visível ao lotarem os teatros onde Houdini se apresentava.

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Harry Houdini visitando o túmulo de Robert Heller, 1910

Certa vez, Houdini iria apresentar-se em Paris. Decidiu então usar a velha tática de ir ao cemitério para propagandear seu espetáculo. Houdini dirigiu-se até Blois, a 180 km de Paris para visitar o túmulo do mestre Robert-Houdin. Afinal, o que poderia ser melhor do que “homenagear” o homem que lhe “emprestara” o nome e o amor pela magia? Querendo dar um “plus” em sua busca por publicidade, inquiriu os repórteres sobre algum parente vivo de Robert-Houdin que porventura ainda estivesse vivo. Para sua surpresa foi informado que sim haviam parentes vivos – possivelmente os filhos de Robert-Houdin – e que não, eles não queriam vê-lo. Aliás, não só não queriam vê-lo, como não queriam ter qualquer parte com Houdini.

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Lápide de Robert-Houdin em Blois, França

Essa rejeição doeu em Houdini. Como alguém poderia se atrever a não recebê-lo? Houdini nunca buscou saber o porquê da recusa. Talvez eles não gostassem de publicidade (afinal já vinham de uma atribulada vida com Robert-Houdin) e aceitariam um encontro mais discreto. Mas Houdini, vingativo e sanguíneo como era, se recusou a saber os motivos e declarou guerra à memória de Robert-Houdin.

Will Goldston em seu livro “Sensational Tales of Mystery Men” conta que teve o seguinte diálogo com Houdini:

Que diabos, Will!” ele disse, “O que tem de errado comigo? Qualquer um vai achar que sou um leproso! Mas eles vão se arrepender por isso, nem que me custe a vida toda.

O que você quer dizer?” eu perguntei.

Eu estou escrevendo um livro sobre Houdin que fará toda a sua família baixar a bola. Ele vai ter a pior biografia que ele já teve. Ele era um impostor.

Que vergonha, Harry,” eu respondi asperamente. “Você sabe que isso não é verdade. Por que ser tão vingativo? Houdin era um grande mágico e você sabe disso tão bem quanto qualquer um.

Ele era um impostor, eu digo. Eu juntei todos os fatos para provar isso. E de qualquer forma” concluiu ele baixando o tom da voz “o público vai acreditar em qualquer coisa que eu disser a eles. O ‘Desmascarando Robert-Houdin’ fará com todos percebam isso.

Você está cometendo um grande erro, Harry. Ninguém vai achar que você é uma pessoa melhor depois de um atitude tão bestial. Houdin está morto e não poderá se defender. Um dia desses alguém vai escrever um livro sobre você e o chamará ‘Desmascarando Harry Houdini’.

Ele olhou firmemente para minhas palavras e respondeu: “Se alguém fizer isso, será você,” ele disse lentamente.

Eu ri. “Talvez você tenha razão”, repliquei. “Mas se eu escrever sobre Houdini, nunca vai ser motivado por vingança.

O livro foi publicado em 1907 (embora a edição britânica da obra traga a data de 1906) e foi uma falha de vendas monumental. Embora Houdini tivesse, de fato, juntado muitos fatos sobre Robert-Houdin, ele deixou que sua imaginação escolhesse as palavras do livro. Seu trabalho foi refutado pelos mágicos em geral como “carente de acurácia histórica”. O respeito e a gratidão que todos os mágicos nutriam por Robert-Houdin falou mais alto que o desejo de vingança (e de publicidade) de Houdini.

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Capa da primeira edição do livro de Houdini, 1907.

The Unmasking of Robert-Houdin” (Desmascarando Robert-Houdin) é considerado como o primeiro livro específico de história da mágica publicado (ou ao menos, Houdini assim o propagandeou). Segundo ele foram mais de 15 anos de pesquisa e contém diversas imagens, notas de jornais, e folhetos dos shows de Robert-Houdin. Houdini em sua revista “Harry Houdini’s Conjurers’ Monthly Magazine” de maio de 1908 escreveu que, antes do livro ser colocado à venda, estava sendo anunciado com o preço de US$ 2,00. Quando efetivamente lançado, o preço de capa foi reduzido para US$ 1,00 sob ordem de Houdini que pagou do próprio bolso a diferença, a fim de que seu livro atingisse um público ainda maior.

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Propaganda do livro de Houdini, com o desconto anunciado.

A despeito de todo o esforço empreendido na publicação do livro, ele foi um fracasso. Poucos foram os que efetivamente leram o livro, e os que o fizeram trataram a obra como um ato de despeito. Muitas das cópias do livro – possivelmente as que Houdini deu de presente –  possuem uma anotação escrita a punho pelo próprio Houdini: “Por favor, leia pelo menos a introdução”.

Houdini sofreu fortes críticas pela publicação do livro, em especial de mágicos franceses. Há quem dissesse, na época, que o verdadeiro motivo para ele ter escrito o livro não foi a recusa da família em vê-lo, senão porque simplesmente desiludiu-se com Robert-Houdin e, tendo copiado seu nome a partir do mágico francês, desejava elaborar uma justificativa para poder trocar de nome.

A verdadeira motivação para Houdini ter escrito o livro talvez nunca saibamos. É dito, porém que, anos após a publicação do livro, ao ser questionado sobre a obra, Houdini teria dito que “O único erro que eu cometi foi nomear meu livro como ‘Desamascarando Robert-Houdin’. Deveria ter sido ‘História da Mágica’.

No entanto, justiça seja feita, o livro contém mais do que mera difamação acerca de Robert-Houdin. Além de um relato sobre a história do homem que modernizou a mágica,  serviu também como ponto de partida para a carreira de “debunker” de Houdini. Não obstante, quando encontrou-se com Sir Arthur Conan Doyle, um já conhecido espiritualista, presenteou-o com um exemplar da sua obra “Desmascarando Robert-Houdin”, talvez como um aviso ao novo amigo que não esperasse que ele fechasse os olhos para as fraudes que, porventura, viesse a encontrar.

– Æ –

* OBS: O título do texto, obviamente um chamariz, é baseado em uma famosa frase de Houdini, que, ao desmascarar falsos médiuns, costumava gritar: “Eu sou Houdini, e você é uma fraude”.

– Æ –

FONTES

Livro: Will Goldston “Sensational Tales of Mystery Men”, 1929.

Site: Magicpedia: “The Unmasking of Robert-Houdin

Blog: The Paris Review

MANDRAKE, O MÁGICO

1. INTRODUÇÃO

O mágico não é a figura mais popular da cultura pop. Embora cause espanto e admiração, a figura do mágico não “colou” no imaginário popular. Muitos ainda associam a figura do mágico um trapaceiro. E quando pensam em mágico a imagem é quase sempre a mesma: fraque preto, cartola e muitas vezes um bigode estilo francês ou cavanhaque.

Essa imagem do mágico de fraque e cartola é fruto em parte da figura de Mandrake, um personagem da editora King Features Syndicate, e que ajudou a incutir no imaginário popular o estereótipo do mágico.

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2. O PERSONAGEM

Mandrake foi criado em 1934 por Lee Falk, que inseguro de sua habilidade como desenhista, Lee escolheu o Phil Davis para dar os traços ao herói. Assim com roteiro de Lee Falk e desenhos de Phil Davis nascia, em 11 de junho de 1934, a primeira história de Mandrake, entitulada: “The Cobra”. A história durou 24 capítulos e encerrou-se em 24 de novembro de 1934.

Lee Falk, criador de Mandrake
Lee Falk, criador de Mandrake

Em 10 de agosto de 1935 Mandrake chegou ao Brasil pelas mãos de Max Yantok (pseudônimo de Nicolau Cesarino) editor da revista “Suplemento Juvenil”. A primeira história publicada aqui recebeu o título de “Sourcin, o sábio louco” (“The monster of Tanov Pass”), onde, durante uma viagem aos Montes Cárpatos, Mandrake e Lothar, supreendidos por uma tempestade, abrigam-se no castelo do professor Sorcin, o qual escondia um terrível montro macaco com cérebro humano. Na edição original essa é a terceira história escrita.

Exemplar da Revista Suplemento Juvenil, a precursora das histórias de Mandrake de 1937
Exemplar da Revista Suplemento Juvenil, a precursora das histórias de Mandrake de 1937

Mandrake mora em Xanadu, uma propriedade fantástica no alto de uma colina. É noivo da princesa Narda de Cockaigne, herdeira do trono de Cockaigne, filha do rei Karl e da rainha Isabela herdeira de um trono. Mandrake conta ainda com a ajuda de seu companheiro inseparável, Lothar, um príncipe africano que abandonou sua tribo para acompanhar o mágico.

Lothar, Mandrake e Narda na edição 01 da revista Mandrake, editora RGE
Lothar, Mandrake e Narda na edição 01 da revista Mandrake, editora RGE

Os poderes de Mandrake são a hipnose e a comunicação telepática. Ele é capaz de hipnotizar instantaneamente qualquer pessoa (incluindo inimigos). Ao executar o seu gesto hipnótico, mandrake “transforma” a arma do vilão em um buquê de rosas ou uma pomba. Mandrake também pode comunicar-se telepaticamente com qualquer pessoa. Mandrake ganhou os seus poderes através de anos de estudo em um Colégio de Mágica que fica em um ponto desconhecido no Himalaia.

O arqui-inimigo de Mandrake é o Cobra, um mágico negro poderoso que deseja se apossar dos Cubos de Cristal, artefatos esses que ampliariam infinitamente o poder mental do seu possuidor, para assim poder dominar o mundo. Os dois cubos estão um em posse de Mandrake e o outro de Theron, pai de Mandrake. Cobra usa uma máscara que esconde o seu rosto. Tempos mais tarde, Mandrake viria a descobrir a identidade secreta do Cobra: trata-se de seu antigo professor no Colégio de Mágica Luciphor, filho mais velho de Theron e, meio-irmão de Mandrake. Aliás, Theron também merece uma citação: ele é o grão-mestre do Colégio de Mágica e de acordo com a mitologia da série ele teria centenas de anos, já foi casado doze vezes e tem entre 30 e 40 filhos, dos quais só quatro estão vivos: Luciphor, Derek, Mandrake e Lenore.

Luciphor, meio-irmão de Mandrake, sem a máscara
Luciphor, meio-irmão de Mandrake, sem a máscara

Outros inimigos de Mandrake são o seu irmão gêmeo malvado Derek (que viria a se unir com Luciphor contra Mandrake), Ekardnam um “clone invertido” de Mandrake que vive no mundo do espelho, Saki, um mestre dos disfarces de alcunha “Clay Camel” e a filha de Camel, “The Brass Monkey”, chamada assim por sempre deixar um macaco de bronze nos locais de seus crimes.

Luciphor e Derek unindo poderes contra Mandrake
Luciphor e Derek unindo poderes contra Mandrake

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3. A REPERCUSSÃO DAS HISTÓRIAS

Mandrake tornou-se extremamente poular nos anos 30 e 40 e deu origem a uma série de outros heróis mágicos, como Zambini, Drago e Kardak, pela editora Archie; Zatara pela DC Comics; Visão e Dr. Estranho, ambos pela Marvel. Na Itália, Mandrake ganhou uma versão local criado pela editora Nerbini e desenhada por Galep, o artista de Tex. Outro autor de Tex, o criador Gianluigi Bonelli, criou “Ipnos, o Rei da Magia”, em 1946, também com base em Mandrake.

Super heróis mágicos, baseados em Mandrake
Super heróis mágicos, baseados em Mandrake

No Brasil os quadrinhos de Mandrake foi publicado por diversas edioras, mas teve o seu apogeu nas décadas de 60 e 70 pelas mãos da editora RGE. Ela publicou os quadrinhos até os anos 80, quando por diversos fatores, dentre eles o desinteresse da King Features e a decadência da RGE, quando o gibi foi cancelado.

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4. Leon Mandrake

Lee Falk inspirou-se em um mágico real para a criação de seu herói: Leon Mandrake. Nascido Leon Giglio em 11 de abril de 1911, Leon foi um mágico ítalo-americano, mentalista, ilusionista, escapista, ventríloquo e dublê-performático. Leon estudou os grandes nomes do vaudeville e aos 11 anos começou sua própria carreira vaudevilliana em sua cidade natal no Edison Theater. Aos 14 passou-se a apresentar no “Moyer’s Carnival” em uma feira nacional. Nessa época aprendeu novas habilidade como comer fogo, leitura da mente e ventriloquismo. Ao 16 excursionou com o “Ralph Richard’s Touring Magic Show” por 6 meses ao longo de toda a América do Norte. A partir de 1930, com 19 anos, Leon passou a excursionar com o seu próprio show.

Leon Mandrake, 1939
Leon Mandrake, 1939

O visual de Mandrake foi copiado inteiramente de Leon: cartola negra, capa preta de fundo escarlate, bigode fino. Na vida amorosa a arte também imitou a vida: Leon fio casado duas vezes, sua primeira esposa era sua assistente de palco, chamada Princesa Narda. Em 1946, Leon separou-se de Narda e perdeu sua assistente de palco. Meses depois, Leon conheceu Louise Salerno, uma atriz e dançarina vinda de uma família de artistas. Após duas semanas excursionando juntos, Leon e Louise se casaram em uma cerimônia simples. Duas horas após o casamento o casal já estava no palco se apresentando.

Leon e sua Esposa Velvet (Louise) em uma apresentação de mágica
Leon e sua Esposa Velvet (Louise) em uma apresentação de mágica

Mandrake continou excursionando até os anos 50, quando a TV começou a tirar o público dos teatros. Pensando em migrar para a TV, Leon comprou os direitos de imagem de Alexander, bem como o seu material e criou um show para a TV chamado “Alexander, o Grande”. O seu programa durou de 1955 a 1956. Em 1963 fez um novo programa diante de uma plateia ao vivo, chamado “Mandrake Special”, além de participações em séries diversas.

Leon Mandrake
Leon Mandrake

A sua última apresnetação foi em 1985 para um festival de chocolates em Victória, no Canadá. Em 27 de janeiro de 1993, Leon Mandrake faleceu. Um memorial foi criado no Paramount Theater (antigo Edison Theater) em homenagem à Leon Mandrake lembrando que ali fora o local de sua primeira apresentação.

Programa do show de Mandrake - 1947
Programa do show de Mandrake – 1947

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5. Curiosidades

Alguns consideram Mandrake como o primeiro super-herói dos quadrinhos. Isso porque ele tee algumas aparições nos quadrinhos “The Advetures of Patsy”. Nessa história o Mandrake era chamado de “O Mágico Fantasma”. E quem era o escritor de “As Aventuras de Patsy”? Lee Falk. Aliás, Lee Falk também criou outro personagem famoso dos quadrinhos: O Fantasma.

A editora King Features Syndicte criou uma biografia ficcionalizada para Lee Falk segundo a qual ele teria nascido Leon Harris Gross, e acabou adotando o sobrenome Falk de seu padastro como forma de homenagem. Albert Falk Epstein, padrasto de Leon era um viajante mundial famoso e que se especializou no estudo das religiões orientais. Daí a inspiração de Lee para as obras de Mandrake e O Fantasma.

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BIBLIOGRAFIA

Site: Wikipedia em Pt-Br

Site: Wikipedia em Inglês

Site: Guia dos quadrinhos

Site: Webcomic Overlook

Site: Mandrakewiki

Site: Enciclopedia HQ

Site: Clay Camel

Site: Magicpedia – Leon Mandrake

Site: Wikipedia

Documentário: Mandrake, a magic life

RESENHA – LIVRO “CARTER E O DIABO”

Capa do livro (Clique na imagem para ampliá-la)
Capa do livro
(Clique na imagem para ampliá-la)

RESENHA OFICIAL

A trama de Carter e o Diabo se desenrola na São Francisco da Era do Jazz, época em que os Estados Unidos vivenciavam uma relação apaixonada com a mágica e os ilusionistas. O romance inicia com o presidente dos Estados Unidos, Warren G. Harding, aceitando ser voluntário numa performance do mágico Charles Carter. A participação do presidente no show foi um sucesso até que, duas horas após o espetáculo, é encontrado morto num quarto de hotel. Conhecido como Carter, o Grande, um mágico muito talentoso, cujas habilidades equivalem à do lendário Houdini, o jovem era apaixonado por sua arte, inspirada pelo desespero e pela solidão. Com a morte do presidente, todo o país se pergunta o que de fato aconteceu durante o truque. Principal suspeito do assassinato, Carter precisa deixar o país e descobrir a verdade por trás da morte para limpar seu nome e salvar sua carreira, que já começava a ser ameaçada pelo cinema. Temperando a ficção com a dose certa de obscuros fatos históricos, Gold revela ao leitor o passado de Charles Carter, começando por seu interesse em mágicas e seus enormes esforços para tornar-se famoso e respeitado. A fuga do mágico e os diversos caminhos para a resolução do crime nos levam por uma viagem fascinante construída pelo autor: Carter é perseguido por agentes do FBI, apaixona-se por uma bela e cega mulher, trava um embate com um antigo rival, encontra piratas, cientistas e espiões.

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SOBRE O LIVRO

De forma bem resumida, “Carter e o Diabo” é sobre um grande mágico lutando contra um conglomerado do governo, corporações milionárias e sociedades secretas para descobrir a verdade sobre a misteriosa morte do Presidente dos EUA, em que Carter é o principal suspeito, contando com a ajuda de seu Leão de estimação. Posto desta forma o roteiro parece meio “disneyesco”, mas a verdade é que o livro uma mistura bem dosada de romance policial, biografia ficcionalizada e pitadas de humor. No entanto, fica claro ao longo do livro que o maior objetivo de Glen é recriar a era de ouro da mágica, coisa que ele o faz com extrema maestria.

Charles Carter (Clique na imagem para ampliá-la)
Charles Carter
(Clique na imagem para ampliá-la)

A história se passa na época de transição do vaudeville para a era da televisão. A mágica ainda estava no auge, mas com sinais claros que os tempos haveriam de mudar. Carter deve encarar essas mudanças ao mesmo tempo em que busca provar a sua inocência no caso da morte do Presidente Harding.

Presidente Theodore Harding (Clique na imagem para ampliá-la)
Presidente Warren Harding
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Além de Carter e do presidente Harding, outros personagens reais desfilam pelo livro. É o caso de Harry Houdini, Max Friz, fundador da BMW, Philo Farnsworth, o inventor da televisão, entre outros. E é essa mescla de personagens reais e eventos fictícios a grande sacada do livro.

Philo Farnsworth, inventor da televisão (Clique na imagem para ampliá-la)
Philo Farnsworth, inventor da televisão
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No tocante à mágica o autor consegue recriar o ambiente e a atmosfera do vaudeville com perfeição. A descrição dos números de mágica é rica e ao mesmo tempo objetiva. Mesmo para o leitor não familiarizado com a arte da ilusão, a leitura não é enfadonha. Segundo o próprio autor todas as mágicas descritas no livro foram baseadas em números reais, realmente executados por mágicos no passado, o que traz ainda mais brilhantismo ao livro. Os números são tão incríveis que beiram as raias do absurdo.

Por ser uma espécie de biografia, o enredo conta ainda com alguns saltos temporais, mostrando a infância de Carter, o seu encontro com a mágica e como a mágica tornou-se uma obsessão em sua vida e ao mesmo tempo a responsável por grandes tragédias que marcariam profundamente a personalidade de Carter.

O ponto forte do livro é também o seu ponto fraco: a mescla entre uma biografia ficcionalizada e uma novela policial acaba causando confusão no roteiro. Em alguns pontos do livro o autor parece não sabe qual das linhas seguir e acaba seguindo linha alguma. A quantidade de histórias paralelas também pode confundir o leitor. Não poucas vezes tive que voltar páginas para entender o que estava acontecendo, fato agravado pelos vários deslizes cometidos pela tradução do livro (alguns bastantes graves).

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IMPRESSÃO COMO MÁGICO

Como mágico é uma leitura que vale à pena. Poder conhecer o vaudeville (a raíz do que é hoje a indústria de entretenimento americana) e mais, poder sentir um pouco do que foi a era de ouro da mágica me fez ver a nossa própria arte com outros olhos. Além disso, a descrição do efeitos realizados por Carter são tão incríveis que beiram o absurdo. E mais absurdo ainda é saber que são mágicas reais que, de fato, eram executadas.

A impressão pós-leitura é que a arte mágica hoje perdeu a profundidade. Nós mágicos nos contentamos com números fáceis e, por falta de opção, o nosso público acabou se contentando também. Lendo o livro percebi o quão mais além a nossa arte pode ir.

Para exemplificar no Essential Magic Conference de 2011, Mike Caveney mostrou um vídeoonde ele executava o “Carter’s Million Dollar Mystery” no Magic Castle. Mike tem o equipamento original que pertenceu a Carter. O número é fantástico e causou nos presentes o mesmo efeito que causava há um século atrás. Aliás, Mike Caveney serviu de consultor para Glen David quando da escrita do livro, em especial no tocante à descrição dos efeitos.

Mike Caveney apresentando a ilusão original de Carter (Clique na imagem para ampliá-la)
Mike Caveney apresentando a ilusão original de Carter
(Clique na imagem para ampliá-la)

Recomendo fortemente a leitura.

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FICHA TÉCNICA

Título: Carter e o Diabo (Carter beats the Devil)

Autor: Glenn David Gold

Editora: Record

Ano: 2004

Páginas: 518

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Imagens e ideias para o formato do texto retirados do Blog do Viteck

MÁGICA EM TEMPOS DE GUERRA (PARTE I)

Extraído do portal UOL

Autor: Thiago Chaves-Scarelli

CIA ENSINOU TRUQUES DE MÁGICA AOS SEUS AGENTES DURANTE A GUERRA FRIA

Precisa colocar uma pílula secreta na bebida de um chefe de Estado sem ser percebido? O truque é agir com movimentos calmos, distraindo seu alvo com outra ação espontânea, em um cenário preparado com antecedência. Ou seja, da mesma maneira que um mágico enganaria sua plateia.

Precisa envenenar alguém? Mão esquerda abaixada para a ação, imediatamente após o fósforo ser riscado e distrair alvo.

Esse é o espírito das lições que foram passadas aos agentes secretos norte-americanos pelo ilusionista profissional John Mulholland, em um “manual” ultrassecreto escrito a pedido do governo dos EUA no auge da Guerra Fria – e que agora, seis décadas depois, foi divulgado por pesquisadores norte-americanos.

“CIA – Manual Oficial de Truques e Espionagem” (Lua de Papel, R$ 34,90), publicado no Brasil este mês, é o resultado da pesquisa dos especialistas H. Keith Melton e Robert Wallace, responsáveis por encontrar a única cópia de que se tem notícia destes textos.

Capa do livro "CIA - Manual Oficial de Truques e Espionagem" (Ed. Lua de Papel).

Fim do “jogo limpo”

O livro conta que durante a década de 1950, o acirramento da tensão entre os americanos e a União Soviética levou os EUA a revisarem os procedimentos de sua recém-criada agência de inteligência.

“Se os Estados Unidos quiserem sobreviver, os sagrados conceitos norte-americanos de ‘jogo limpo’ devem ser reconsiderados. Devemos aprender a subverter, sabotar e destruir nossos inimigos mediante métodos mais engenhosos, mais sofisticados e mais eficazes do que aqueles utilizados contra nós”, defendia um relatório militar entregue ao presidente Dwight D. Eisenhower em 1954.

Os EUA se sentiam ameaçados por uma potência soviética que não hesitava em matar lideranças políticas e perseguir civis quando era conveniente. Em resposta, aplicou uma postura ofensiva. “As ações clandestinas da CIA se expandiram da Europa para Oriente Médio, África, América Latina e Extremo Oriente”, contam os autores.

Essa expansão coincide com o desenvolvimento do MKULTRA, um dos programas mais delicados da Guerra Fria, que acabou englobando 149 subprojetos e se manteve como um dos segredos mais bem guardados da CIA por mais de 20 anos.

Pílulas, pós e ilusionismo

O objetivo dessas agências era pesquisar e desenvolver produtos químicos, biológicos e radioativos com efeitos no comportamento – inclusive almejando algum tipo de “controle da mente”. Manipulação e experiência psicofarmacêutica com humanos (nem sempre cientes de sua participação na “pesquisa”) era parte do trabalho, como a CIA reconheceria mais tarde.

Parte dessa pesquisa não levou a conclusões aplicáveis – caso da aplicação monitorada de LSD, por exemplo – e houve inclusive mortes relacionadas a tais experimentos. Mas ao mesmo tempo a CIA começava a ter pós, líquidos e pílulas tóxicas a seu alcance.

Independente de seu propósito final, escrevem os autores, as substâncias químicas da CIA “seriam operacionalmente inúteis se os oficiais de campo não conseguissem aplicá-las de modo velado”.

É nesse momento que o mágico John Mulholland faz sua estreia no mundo da espionagem: sua tarefa era ensinar truques de ilusionismo para os agentes secretos. “Mulholland aceitou US$ 3 mil para escrever o manual e a CIA aprovou a despesa como Subprojeto MKULTRA número quatro, em 4 de maio de 1953”.
“Aplicações operacionais da arte da fraude”

“O objetivo deste trabalho é ensinar o leitor a executar diversas ações de modo secreto e indetectável. Em resumo, aqui estão instruções a respeito de fraudes”, escreve Mulholland no início de seu primeiro manual.

“Qualquer tipo de movimento atrai atenção (…) e a trapaça depende de não chamar a atenção para o método da performance. Os mágicos não utilizam a velocidade em suas ações”, ensina o ilusionista.

Ainda no primeiro capítulo, o mágico busca convencer o leitor a descartar as ideias “falsas” sobre o ilusionismo. “O grande mito a respeito de todas as trapaças é que existe um único segredo que explicará como cada truque é executado”, escreve Mulholland. “O fato é que existem diversas maneiras de se executar essa mágica.”

O livro prossegue com capítulos como “manuseio de pílulas”, “manuseio de pós”, “retirada furtiva de objetos” e “como trabalhar em equipe”. Ao final do volume, os autores compilam também um segundo “manual secreto” do mágico, mais curto, no qual Mulholland se dedica a descrever sinais para reconhecimento entre agentes que trabalham juntos.

Hoje, com toda a parafernália tecnológica à disposição de civis e agentes secretos, as técnicas de Mulholland ainda têm importância? “A tecnologia muda e evolui, pode diferir de cultura para cultura, ainda assim os princípios da trapaça e da fraude são eternos”, afirmou Wallace ao UOL Notícias. “Mulholland teria se deliciado com os ‘truques’ sofisticados que agora são possíveis com o avanço nos materiais, miniaturas e eletrônicos.”

No site da UOL ainda tem uma micro-entrevista com Robert Wallace, co-autor do livro.

De minha parte, vou pesquisar a história do Mullholland e asism que tiver algo, posto aqui.

Amplexos!

THOMAS DENTON: UM CONTROVERSO

Thomas Denton era uma pessoa controversa. Sua fama não se deve à mágica; mas sim aos mágicos com os quais trabalhou. Por isso, para conhecer Thomas Denton, é preciso falar primeiro destes outros personagens.

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1. “O ILUSIONISTA DESMASCARADO”

Final do século XVIII. Dois mágicos estão em forte discórdia. De um lado o mágico italiano Pinetti. Do outro um advogado e mágico entusiasta, o francês Henri Decremps. Num golpe baixo e cruel, Decremps publica o livro “La Magie Blanche Devoilée“, algo como “A Magia Branca ao Descoberto”, onde expôs todos os segredos das mágicas de Pinetti.

A esta briga voltaremos em um post futuro. Importa-nos aqui saber que o livro teve um êxito surpreendente. tanto que foi traduzido para vários idiomas. A versão inglesa do livro chamou-se “The Conjurer Unmasked” (O Conjurador Desmascarado), e foi editada e publicada por nosso amigo Thomas Denton.

Thomas foi o tradutor e editor do livro, e ainda escreveu no prefácio do livro que esta edição vinha com vários anexos e comentários de sua autoria e de algumas outras pessoas.

Prefácio do livro "The Conjurer Unmasked" por Thomas Denton
Prefácio do livro “The Conjurer Unmasked” por Thomas Denton (Clique na imagem para ampliá-la)

Thomas publicou as edições de 1785, 1788 e 1790 desta obra, a qual podia ser adquirida na livraria do próprio Thomas.

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2. O LEITO CELESTIAL

Outros personagens “intrigantes” do século XVIII se valeram dos serviços de Thomas Denton.

Gustavus Katterfelto era um conhecido cientista e ocultista, o qual, se denominava “Doutor”. Além disso, andava sempre estava acompanhado por um gato negro. Alguns historiadores classificam Gustavus como um charlatão. Outros o reconhecem como um cientista excêntrico.

Fosse o que fosse, o fato é que Gustavus tinha um rival a altura. Um escocês que também se denominava “Doutor” chamado James Graham, este sim um vigarista de primeira linha.

Dr. Graham era um misto de médico, sexólogo, terapeuta e showman. Seus muito “artifícios” incluiam “O Templo da Saúde”, uma antiga mansão repleta de aparatos elétricos e magnéticos, cujos pacientes eram tratados com musicoterapia, eletrochoques, correntes magnéticas e um sem número de outros aparatos.

Dr. James Graham em uma de suas “apresentações” (Clique na imagem para ampliá-la)

Mas o mais curioso era o “Templo de Himen” e o famoso “Leito Celestial”, um aparato destinado a todos os casais que não podiam conceber filhos.

O Dr. escocês assegurava aos seus pacientes que ao deitarem-se na leito e cumprirem com as obrigações do casamento, ao fim de 9 meses conceberiam o bendito herdeiro. E mais, prometia-lhes que a criança nasceria perfeita.

Obviamente um serviço desses não saia de graça. A cada noite em que um casal quisesse usar o Leito Celestial, deveriam desembolsar 100 libras (lembre-se que no século 18 este valor era uma equena fortuna).

O leito em si era uma mobília fantástica. Toda ela trabalhada na madeira e composta por decalques dourados e toda a sorte de ornamentos imagináveis. O Leito era suspendido por 28 pilares de cristal e possuia cortinas de seda em tom carmesin e bordas luxuosamente adornadas. Uma verdadeira obra de arte. Seu custo estimado era de 12.000 libras.

E quem construiu este leito? Thomas Denton. Foi ele quem desenhou e construiu este aparato fantástico e “mágico”.

Esquema de funcionamento do “Leito Celestial” (Clique na imagem para ampliá-la)

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3. OS AUTÔMATOS DE DENTON

Como visto, Thomas Denton, além de livreiro era um exímio artesão. Na verdade, sua habilidade no trabalho com metal, talvez seja sua habilidade mais proeminente, e, ironicamente, foi o que levou-lhe à forca. Mas primeiro os seus bonecos.

Thomas construia atômatos, bonecos capazes de se movimentarem sozinhos. Entre eles um boneco que falava e outro capaz de escrever. Seu primeiro boneco, dizem, nasceu enquanto Denton observava uma figura similar em 1783, criada por um artista de rua, que vendia o segredo do autômato ao preço de 50 guineas (aproximadamente 52 libras e 10 xelins).  Não se sabe se Denton comprou ou não este segredo. E certo é que construiu uma cópia do autômato, o qual utilizou em seu próprio proveito.

A descrição de venda dos autômatos informava que o boneco falante media cerca de 50 cm de altura, que podiam ser feitas perguntas em quaisquer idioma e, além disso, era possível falar com o boneco por sussurros que este responderia.

Para evitar que o público pensasse haver alguma forma de comunicação entre o autômato e o provável operador, o boneco vinha amarrado por cordas as quais podiam ser examinadas. E mais, oferecia-se o autômato a quem quisesse segurá-lo com suas próprias mãos.

Denton e seus autômatos (Clique na imagem para ampliá-la)

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4. OUTRAS ATIVIDADES LUCRATIVAS E A MORTE

Sendo um exímio artesão de metais, Denton acabou tendo outros ofícios. Sabia operar o pantógrafo além de haver se especializado em talhagem de metal para carruagens.

Por seu ofício, Denton acabou conhecendo pessoas dedicadas a atividades “não santas” com metais, mais exatamente a falsificação de dinheiro. Denton logo tornara-se um cunhador “não-oficial” de moedas.

Sua ousadia, e por que não, sua soberba, o levaram a crer que seria capaz de conseguir uma imitação perfeita das moedas reais, e que ninguém seria capaz de distinguir suas falsificações.

Mas algo saiu muito errado, pois Denton foi descoberto e com ele suas ferramentas utilizadas na fabricação das moedas falsas. Sua pena foi dura. Foi condenado à forca. Suas habilidades e contatos, não o puderam livrar de seu terrível fim.

Foi enforcado em frente a prisão de Newgate em 1º de julho de 1789. Como último pedido, requereu papel e caneta, e escreveu a seguinte carta:

Caros Papai e Mamãe:

Quando vocês receberem esta carta eu terei partido para o lugar de onde nenhum viajante volta. Não culpem minha esposa, a melhor das mães e melhor das mulheres; e se alguma mulher foi ao céu, ela irá. Se eu tivesse seguido seu conselho, não estaria nesta situação. Deus abençoe meu pobre Dick [seu filho]. O sino está soando. Adieu!

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FONTES

http://www.exclassics.com/newgate/ng367.htm

http://www.geniimagazine.com/forums/ubbthreads.php/topics/201669/The_Conjurer_Unmasked

http://historiaycuriosidadesdelilusionismo.blogspot.com/2010/01/el-habilidoso-thomas-denton-un.html

http://www.dailymail.co.uk/femail/article-1058583/Doctor-love-A-new-book-tells-tale-Dr-James-Graham-sex-clinic-scandalised-18th-century-society.html

http://en.wikipedia.org/wiki/James_Graham_(sexologist)

TODAS AS EDIÇÕES DE “THE EXPERT AT THE CARD TABLE”

No post anterior (ou seja, no que está abaixo deste), falou-se sobre o mistério sobre a identidade de S. W. Erdnase, autor de “The Expert at the Card Table“.

Segue aqui uma lista com todas as edições já impressas do livro de Erdnase “The Expert at the Card Table” e suas respectivas capas.

Primeira Edição

(First Edition)

Editora: Edição Própria
Ano da Publicação: 1902
Páginas: 205

O preço médio de cada exemplar dessa edição custa entre 1.000 e 3.000 dólares, dependendo do estado de conservação do livro. Richard Hatch estima que hajam em torno de 100 exemplares desse livro pelo mundo inteiro. Até agora ele conseguiu localizar e catalogar em torno de 70 exemplares.

Drake Capa Dura Estampado Verde

(Drake HB Pictorial Green Cloth)

Editora: Drake
Ano de Publicação: ~1905
Pages: 205

Uma das muitas edições Drake de capa dura produzidas entre 1905 a 1915.

Drake Capa Dura Bordô

(Drake HB Plum Cloth)

Editora: Drake
Ano de Publicação: ~1905
Páginas: 205

Outras das edições Drake de capa dura. Algumas ediçãoes Drake são mais comuns que outras, por isso o seu valor varia bastante, podendo chegar a equiparar-se com a primeira edição.

Drake Capa Dura Azul

(Drake HB Blue Cloth)

Editora: Drake
Ano de Publicação: ~1918
Páginas: 178 + 12 em branco

Essa cópia é considerada extremamente rara, segundo Jeff Busby em seu livro “The Man Who Was Erdnase” (O Homem que Era Erdnase). De acordo com o livro só existiria uma única cópia conhecida. Essa informação provou-se mais tarde ser falsa, pois ao publicar seu livro, vários outros donos dessa edição procuraram Busby.

Drake Capa Mole com Índice

(Drake SB w/ indices)

Editora: Drake
Ano de Publicação:
1937
Páginas:
178

Aqui um exemplo da edição Drake de capa mole com o índice no rei de copas (índice é o valor indicado nos cantos das cartas, mostrando o valor e o naipe). Frost, KC Card Company, e Powner todos usaram essa capa base em suas edições.

Drake capa Mole sem Índice

(Drake SB no indices)

Editora: Drake
Ano de Publicação: Pós 1917
Pages: 178

Esta antiga edição de capa mole tem um rei de copas na capa, mas sem o índice nos cantos. Mais tarde as edições de Drake adicionaram os índices. Exceto pelos índices,  a layout básico do livro permanece inalterado por  muitas edições futuras , incluido as já citadas edições de Frost, KC Card Company, e Powner.

Fleming Capa Dura

(Fleming HB)

Editora: Fleming/Powner
Ano de Publicação: ~1944
Páginas: 218

Uma rara cópia da edição de capa dura de Fleming com um guarda pó diferente (guarda pó eram aquelas capas de papel  removíveis que cobriam a capa dura de alguns livros). Esta cópia vinha ainda com uma folha azul que parecia ser um segundo guarda pó.

Fleming Capa Dura

(Fleming HB)

Editora: Fleming
Ano de Publicação: ~1944
Páginas: 218 (Incluindo comentários do Profº Hoffman)

Uma das mais comuns edições de capa dura do livro de Erdnase. Essa foi uma das mais antigas edições do livro a vir com um guarda pó.

Só ressaltando que, apesar de ser o mesmo livro, as edições Fleming acima descritas possuem guarda pós diferentes, sendo este de baixo (ilustrado) a edição mais comum.

Segredo das Cartas Exposto

(Card Secrets Exposed)

Editora: KC Card Company
Year of Publication: 1946
Pages: 206

De acordo com Busby este livro na verdade nunca foi produzido. alguns leitores que encomendaram este livro da KC Card Company disseram ter recebido um exemplar comum de “The Expert At the Card Table”. Por certo Busbt deveria ter cavocado essa história um pouco mais a fundo. Algumas cópias desse livro, com esse título, tem aparecido nos últimos anos.

Edição KC Card Company

(KC Card Company edition)

Editora: KC Card Company (Chicago)
Ano de Publicação: Desconhecido
Páginas: 205

Uma edição relativamente barata, mas muito bacana de “The Expert…“.

GBC com Espiral

(GBC Comb Bound)

Editora: Gambler’s Book Club (Clube do Livro dos Trapaceiros)
Ano de Publicação: Desconhecido
Páginas: 205

Existem pelo menos duas versões de “The Expert…” espiraladas publicadas pela GBC. Ambas contpem 205 páginas, mas tem diferentes tamanhos e capas diferentes. A versão mais antiga  usa a capa padrão do rei de copas. A versão mais nova usa como capa o desenho do dorso de uma carta Bee.

Coles Capa Mole

(Coles SB)

Editora: Coles, Canadá
Ano de Publicação: 1980
Páginas: 205

Esta capa mostra um bem-vestido Erdnase cuidadosamente observando seu oponente completando um corte. esta é a única fotografia que temos de Erdnase. OK, talvez não seja ele, mas qualquer um fica “cool”  jogando cartas de terno preto e gravata.

(Particularmente eu entendi que Erdnase seria o jogador com as cartas na mão, e não o oposto como diz o auotr do texto. O livro assim daria uma visão de como Erdnase vê a mesa de jogo.)

Powner Capa Perfeita

(Powner perfect bound)

Editora: The Charles T. Powner Co.
Ano de Publicação: 1975
Pages: 205

GBC Capa Perfeita

(GBC perfect bound)

Editora: Gambler’s Book Club (Clube do Livro dos Trapaceiros)
Ano de Publicação: Desconhecido
Páginas: 205

Uma excelente e bem muito bem conservada edição de “The Expert…“. Esta versão traz a estampa do dorso de um baralho Bee na capa e na contracapa.

Edição Facsimile

(Facsimile Edition)

Editora: Desconhecida
Ano de Publicação: 2002
Páginas: 205

Pouco é conhecido sobre essa edição. Michael Canick esteve envolvido com a divulgação e a venda dessa edição de Erdnase para o aniversário de 100 anos do livro, mas ele negava qualquer envolvimento com a produção deste projeto. É uma cópia quase perfeita  da primeira edição do livro. A única diferença é a pakavra “facsimile” (do latim faz igual) no interior do livro. Ele é vendido pelo valor de US$ 52,00 cada.

Editora Casino Capa Mole

(Casino Press SB)

Editora: Casino Press, New York
Ano de Publicação: 1984
Páginas: 205

Um bela edição de “The Expert…” publicada pela editora Casino Press. É interessante notar que a editora escolheu usar cartas Bee para ilustar a capa. O diagrama final do livro mostra um Ás de Espada de um deck Bee. Penso se o autor estava ciente dessa escolha ou foi simplesmente uma coincidência usar as cartas Bee? Qualquer que seja o caso, ele usou cardas tamanho bridge, as quais nenhum profissional de cartas que se preze, usa.

Dover Capa Mole

(Dover SB)

Editora: Dover
Ano de Publicação: 1995
Páginas: 130

Quando a editora Dover republicou “The Expert…” em meados dos anos 1990, eles decidiram por alguma razão, re-organizar, re-diagramar o livro. O resultado foi que o número de páginas caiu drásticamente.  Por exemplo, na primeira edição do livro, o “bottom deal” (entrega por baixo) começa na página 52. Na edição Dover começa na página 53.  Para aqueles que estão tentando memorizar tais movimentos isso cria um monte de problemas. Recomendo adquirir a primeira edição.

(Particularmente não vejo problemas nisso, uma vez que o conteúdo não foi suprimido, apenas re-organizado. Mas enfim, quem tiver esse exemplar e quiser falar mais sobre ele, fique à vontade)

EDIÇÕES ESTRANGEIRAS DE “THE EXPERT AT THE CARD TABLE”

Edição Japonesa

(Japanese Edition)
Editora:
Desconhecido
Ano de Publicação:
1989
Páginas:
216 + algumas páginas adicionais de referência

Uma bonita edição do livro de Erdnase. A capa laranja é na verdade o guarda pó do livro. A capa de dentro é um papel em tons naturias. Estamos esperando alguém traduzir o livro e nos fornecer informações adicionais

Edição Alemã

(Der Experte am Kartentisch)

Publisher: Desconhecida
Ano de Publicação: 1991
Pages: 243

Christian Scherer traduziu essa pequena edição de capa dura do livro do inglês para o alemão em 1991. Ela não inclui a tradução dos comentários do Profº Hoffman mas parece conter um texto original próprio; Abaixo do guarda pó está o nome E. S. Erdnase ao invés S. W. Erdnase ou E. S. Andrews.

Edição Espanhola

(El Experto en la Mesa de Juego)

Editora: Editorial Frakson
Ano de Publicação: 1992
Páginas: 202 + um índice de 4 páginas

Outra bela tradução de “The Expert…“. Apesar de não falar espanhol, me parece que o livro foi traduzido por Monica Tamariz.

Edição Francesa

(L’Expert aux Cartes)

Editora: Magix
Ano de Publicação: 1992
Páginas: 171

Esta é a primeira das duas edições francesas Aparentemente foi traduzido por Richard Vollmer. As 205 páginas originais caberam em 171 páginas e a introdução do livro foi escrito por Robert Giobbi.

(Para mim, de todas as capas, esta é a mais bonita de todas. E convenhamos, o livro merce uma capa mais caprichada, dentre todas aqui apresentadas…)


Edição Francesa

(L’Expert aux Cartes)

Editora: Magix
Ano de Publicação: 1994
Páginas: 171

Esta é a capa da segunda edição francesa do livro. E apenas a capa do livro é diferente da primiera edição.

Edição Italiana

(L’Esperto Al Tavolo Da Gioco)

Editora: Florence Art
Ano de Publicação: 1996
Pages: ~186

O número de páginas que são listadas é de 186, mas a tradução do texto não começa até a página 19. Há também, algumas páginas de notas no fim do livro. Robert Giobbi escreveu uma introdução que deixou muito a desejar, assim como a de Steve Forte.

EDIÇÕES EXPANDIDAS DE “THE EXPERT…”

Mestrado em Cartas

(Card Mastery)

Editora: Circle Magic Shop
Ano de Publicação: 1944
Páginas: 205

Esta é a edição de Michael MacDougall de “Card Mastery“, e que contém o texto copleto de “The Expert…“. Não há anotações como em “The Annotated Erdnase” ou “Revelations“, a menos que você considere as 81 páginas de texto escritos por MacDougall antes de “The Expert…” como anotações. Nós não consideramos.

Revelações

(Revelations)

Editora: Magical Publications
Ano de Publicação: 1984
Páginas: 224

Este é a primeira de duas grandes anotações de “The Expert…“. Este livro contém as impressões de Dai Vernon a respeito do livro que o própri Vernon popularizou quase que sozinho na primeira metade do século XX. Existem muitos rumores e histórias sobre como Ricky Jay, Persi Diaconis, e Steve Freeman conspiraram para manter em segredo esse belo material. No enteanto essas histórias não passam de rumores.


Erdnase Anotado

(The Annotated Erdnase)

Editora: Magical Publications
Ano de Publicação: 1991
Páginas: 270

Esta é uma excelente anotação de Ortiz sobre “The Expert…”. Há dúzias e dúzias de notas, anotações e fotografias de ítens de algum modo relacionados à trapaça, apostas ou mesmo Erdnase. O livro contém ainda centenas de citações e referências para outros livros e autores além de dois apêndices, um entotulado “Novos Movimentos” e outro “A Busca por Erdnase” de autoria de Martin Gardner. Muitas cartas de Gardner para o Dr. Smith também são transcritas no livro.

Existem rumores que este livro era para ser maior ainda do que é, mas Pat Cook, Andrew Wimhurst, e David Roth para manter oculto o “bom material”. Mas isso também não passa de rumores.

Fonte: http://www.erdnase.com/editions/index.html