ENGANANDO O PÚBLICO

Faça-os acreditar que estão sendo enganados por um cavalheiro.

Howard Thurston 

O público do Cine Theatro Pró Trento, de Nova Trento, interior do Rio Grande do Sul aguardava ansiosamente a apresentação do mágico. O ingresso, caro para os padrões da época, não impediu que a casa estivesse cheia no momento da apresentação.

Na hora marcada a cortina sobe e o palco se ilumina. O mágico adentra pela direita e o silêncio logo irrompe pela plateia. A tensão se mescla com a excitação de ver um show tão diferente por aquelas bandas. Com uma reverência um pouco mais cumprida que o habitual o mágico saúda a plateia. E o show começa.

Para a abertura, nada de mais: uma simples produção de lenços coloridos. Ele recebe alguns aplausos tímidos, mas sinceros. Ninguém queria ver lenços, afinal de contas, tampouco cartas, moedas… o que eles queriam ver mesmo era a peça principal do show: o truque de decapitar a cabeça de um galo, e depois restaurá-la. A promessa do mágico, contudo, ia além: Ele não iria apenas restauraria a cabeça do pobre galo, mas fá-lo-ia cantar novamente, para que ninguém duvidasse de seu feito.

Mais um efeito de manipulação de bolas de bilhar. Incrível, mas isso ainda não era o que o público queria. O mágico, então, sentindo a pressão dos olhares da plateia, resolve ceder e adianta a apresentação do número principal.

Um número dessa envergadura não pode ser, simplesmente feito sem os devidos cuidados. O mágico chama dois voluntários da plateia: o Prefeito e o Delegado. Duas autoridades locais; pessoas austeras e respeitadas. Enquanto o Prefeito segura o corpo de galo, o delegado, segura a cabeça. O mágico então toma um machado e após algumas palavra mágica, decepa a cabeça do galináceo com um golpe certeiro.

Após mostrar claramente o galo morto, ele pede que o Prefeito e o delegado segurem junto as duas partes do animal e recita algumas palavras mágicas. O ritual demora não mais do que um minuto. Nada acontece! Visilmente constrangido o mágico repete o ritual. Os olhares da plateia começam a se transformar, de curiosos para zombeteiros.

Já sei!” – exclama o mágico – “Esqueci-me do líquido mágico que fará colar as duas partes. Aguardem um momento, sim?!” E sai para a coxia, pelo mesmo lado que entrara. Passados 15 minutos o Prefeito, o Delegado e toda plateia já havia percebido que o verdadeiro truque do mágico fora desaparecer juntamente com o dinheiro da bilheteria.

Essa é uma lenda muito divulgada na cidade de Flores da Cunha, antiga Nova Trento. Supostamente teria se passado por meados da década de 1930. O galo que chegou a ser motivo de chacota das cidades vizinhas, acabou sendo adotado como símbolo oficial da cidade e a história – provavelmente uma lenda urbana – acabou ganhando contornos de folclore local.

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ENGANADORES EM LONDRES

Se o desconhecido mágico de Flores da Cunha é apenas um personagem, outros “mágicos” são bem mais reais e também passaram a perna no público ou em incautos crédulos.

Por volta de 1781, um mágico alemão chamado Philip Breslaw, excursionou pela Grã-Bretanha, fazendo relativo sucesso. Um dia, anunciou um show beneficiente, em que todo o dinheiro, arrecadado, seria doado ao pobres. Findado o show, Breslaw tomou o dinheiro da bilheteria e pagou regiamente seus funcionários. Obviamente tal fato chegou aos ouvidos das autoridades locais que inteprelaram Breslaw sobre sua mentira. A resposta de Breslaw foi icônica: “Mas eu não menti. Prometi dar dinheiro aos mais pobres, e não conheço niguém mais pobre que meus ajudantes“.

Contudo a mais icônica história de um mágico enganado seu público aconteceu em Janeiro de 1749, em Londres. Os jornais locais anunciaram durante dias o show de um certo Benimbe Zammampoango, doutor em ocultismo, e capaz de feitos fantásticos. O anúncio era extraordinário: o mágico prometera ser capaz de tocar o som de qualquer instrumento conhecido a partir e uma bengala emprestada da plateia. Ainda, conjuraria fantasmas que revelariam os mais profundos segredos das pessoas ali presentes.

Mas o que realmente chamou a atenção e despertou a curiosidade do público foi a promessa que o doutor entraria dentro de uma garrafa comum de vinho, a qual poderia ser manipulada por qualquer pessoa. A população dirigiu-se em massa ao Teatro em Haymarket para ver o maravilhoso feito. Inclusive o próprio Duque de Cumberland, irmão do Rei Goerge III estava presente. Seria verdade? Seria um boato? Fosse o que fosse, todos queriam ver o que iria acontecer.

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Doutor Benimbe Zammampoango entrando na garrafa de vinho.

Às 18:30, o Teatro lotado. Cadeiras extras foram providenciadas e muita gente se dispôs a ficar de pé. As luzes baixaram e o teatro ficou em completo silêncio esperando o começo do show. No entanto, não havia ninguém no palco e as cortinas permaneciam fechadas. Silêncio e tensão na plateia. Às 19:00 o palco seguia vazio e aas cortinas fechadas. Foi quando começaram os primeiros assovios e vaias. No afã de acalmar a plateia, o gerente do teatro, subiu ao palco e disse que, caso o mágico não aparecesse, o dinheiro dos ingressos seria regiamente reembolsado.

Longe de acalmar a população, a declaração do diretor acirrou ainda mais os ânimos. As mulheres e as crianças prontamente se retiraram já temendo o pior, que de fato acabou acontecendo. Não se sabe direito como, mas na confusão um princípio de incêndio irrompeu pelo teatro, enquanto que, em outra frente, confusão e quebradeira generalizada. A polícia foi chamada, mas quando chegou ao local, todos já haviam se retirado, deixando apenas o rastro da idignação no pobre teatro.

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No dia seguinte o clima jocoso tomava conta de Londres. A piada recorrente era que se o homem tivesse prometido entrar em uma garrafa maior, as pessoas teriam pagado ainda mais para assistí-lo. O mais curioso, contudo, é que ninguém soube ao certo explicar como o boato começou, uma vez que, a príncipio, nem o próprio teatro sabia do show.

Alguns autores modernos dizem que o boato começou com um Duque, chamado John Montagu, um conhecido apreciador de “pegadinhas”. Segundo eles, o Montagu haveria apostado com alguns amigos que, ainda que prometesse os feitos mais impossíveis, mesmo assim, ele seria capaz de encontrar idiotas o suficiente, capaz de encher um teatro inteiro, que acreditariam em tais promessas.

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Moderna reprodução da notícia que circulou pelos jornais londrinos em janeiro de 1749, anunciando o homem que entrava na garrafa.

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A TV brasileira também possui alguns casos curiosos de pessoas que prometeram feitos extratordinários, mas no fim, só enganaram o público.

No final dos anos 1980, o programa “Show de Calouros” no SBT, durante semanas anunciou de forma bombástica o “o homem que vira peixe”. O homem chegou a subir duas ou três vezes ao palco do programa, mas quando ia começar a demonstração o tempo do programa acabava e ficava para a próxima semana. Até que um dia finalmente o calouro veio ao palco e “virou peixe”: munido de uma frigideira, colocou um peixe nela e atirava-o para cima, virando-o.

Outro caso parecido foi o homem que bebia café com leite, engolia só o leite e cuspia o café de volta. A pegadinha: a mistura era composta de leite e café em grãos. Esses quadros foram reprisados e revisitados diversas vezes, por diversos humoristas e emissoras.

– Æ –

DE VOLTA AO GALO

Mas e o mágico de Flores da Cunha? Será que foi mesmo apenas uma lenda?

Todos sabemos que a ilusão de decepar a cabeça de uma ave e depois restaurá-la é o truque mais velho da históra, literalmente. Também é fato registrado que diversas companhias artísticas passaram pela região de Caxias do Sul na década de 1930, inclusive alguns mágicos.

Um artigo no jornal “O Momento” de Caxias do Sul (cidade vizinha de Flores da Cunha) datado de 10 de fevereiro de 1945, em uma coluna assinada por Iaçanan, conta que o mágico que andava pela região usava uma tesoura, e brinca que, o galo não foi degolado, mas sim “tesourado”. Segundo o colunista existem documentos que “provam de forma provada” que o caso realmente aconteceu. Se a coluna foi séria, ou se trata de algo de humor, é difícil saber.

Pista Flores da Cunha

Claudino Antônio Boscatto é um historiador local de Flores da Cunha e escreveu o livro “Memórias de um neto de imigrantes” em que conta o causo do mágico pilantra. Segundo ele, a história é uma lenda que nasceu como uma piada e acabou ganhando corpo. Uma das teses de Boscatto é que nenhuma autoridade à época se prestaria ao papel de subir ao palco para um papel tão “humilhante”, ainda mais perante um mágico desconhecido. Claudino cita ainda os nomes das autoridades, o Capitão Joaquim Mascarello, intendente municipal, e o delegado Osário Belíssimo.

Verdade seja dita, é unânime a informação que essa história nasceu da boca dos próprios caxienses; talvez como uma forma de rixa pela emancipação do distrito de Nova Trento (a história supostamente teria se passado no mesmo ano da emancipação).

Uma última fonte cita o mágico nominalmente: “Dipiero” seria seu nome. Pesquisando os jornais da época, não encontrei registros de ilusionistas que tenham usado tal nome.

Seja verdade, seja mentira, o fato é que a história que era deboche, acabou virando a marca registrada da cidade de Flores da Cunha. Todo o ganho publicitário e de turismo foram bem maiores do que o valor furtado pelo mágico enganador. No fim das contas, para o município de Flores da Cunha, foi um belo truque!

– Æ –

REFERÊNCIAS

LIVRO: Christopher Milbourne, “Magic, a Picture History“.

LIVRO: Ryan, Richard Ryan e François Joseph Talma. “Dramatic Table Talk or, Scenes, Situations, & Adventures, Serious & Comic in Theatrical History and Biography” – Vol. III

SITE: www.geriwalton.com

SITE: Obscure History. Artigo completo sobre o caso (Inglês | PDF)

GOLPES, ESQUEMAS E SUAS VARIAÇÕES

1. INTRODUÇÃO

O ser humano sempre buscou formas de ludibriar seus semelhantes. É da natureza humana levar vantagem sobre seus semelhantes. O ser humano é, por natureza, um ser ganancioso. E levados por essa ganância foi que os golpistas ao longo de anos criaram, aperfeiçoaram e adaptaram métodos para enganar seus pares.  E assim surgiram os golpes.

Desde que surgiram, os golpes pouco mudaram. Adaptaram-se ao tempo, à época, ao local, mas a sua essência continua a mesma: explorar a ganância humana e usá-la contra a vítima.  Joseph “Yellow Kid” Weil (1º de Julho, 1875 – 26 de fevereiro de 1976), um dos mais famosos golpistas de todos os tempos, disse:

O desejo de ganhar algo sem dar nada em troca tem custado caro para a maioria das pessoas que negociaram comigo e com outros golpistas. (…) Mas eu descobri que é assim que a coisa funciona. Uma pessoa média é, em minha opinião, 99% animal e 1% humana. Esses 99% que são a porção animal causam muitos poucos problemas. Mas o 1% que é humano é a causa de todas as nossas mazelas. Quando as pessoas aprenderem – e eu duvido que algum dia irão – que elas não podem ganhar algo do nada, o crime irá diminuir e nós viveremos em grande harmonia.”

Joseph Weil em “Hoaxers & Hustlers”, Streissguth, Thomas. Minneapolis 1994; The Oliver Press, Inc.

Jospeh Weil

(Clique na imagem para ampliar)

2. “THE CON MAN”

Os golpistas, nos EUA, são chamados de “con man” ou “con artist”. A expressão “con man” é a abreviação de “confidence man” que traduzido ao português significa algo como “homem de confiança” ou então “artistas da confiança”. O trabalho destas pessoas é ganhar a confiança da vítima (também chamada de “mark” ou “pato”) e assim atingir seus objetivos.

Todo o trabalho do golpista concentra-se neste único ponto: conquistar a confiança da vítima. Os golpes todos se baseiam nessa premissa básica: a vítima precisa, além de ser gananciosa, confiar no golpista. Alguns golpes chegam ao ponto de pressupor que a vítima irá passar a perna no golpista.

3. GOLPISTAS X MÁGICOS

É fato notório que os mágicos aprenderam algumas de suas técnicas com os “con artists”. Os dois exemplos mais notórios são o “three card monte”, jogo de cartas em que a vítima deve entre três cartas, achar a carta vermelha, e o livro “The Expert at the Card Table”, um livro que ensina as principais técnicas para trapacear em uma mesa de jogo, mas que os mágicos adotaram para as suas rotinas.

Esta relação sempre foi muito conturbada, e por vezes mágicos e golpistas confundem-se. Não raro muitas pessoas referem-se aos jogos dos mágicos como meros truques ou enganação. “Sempre o mágico me engana”, dizem algumas pessoas.

Seja como for, não se pode negar a relação próxima entre mágicos e golpistas. Por isso, este artigo tem como objetivo mostrar os principais golpes existentes na praça e o que nós como mágicos podemos fazer para ajudar (ou trapacear) os leigos no assunto.

4. OS GOLPES

Os golpes se dividem em algumas categorias.

4.1. Sistemas “Fique Rico”

O foco deste tipo de golpe é explorar a ganância da vítima. Normalmente ela pensa que ficará rica de modo fácil, chegando algumas vezes a pensar que está enganando o golpista quando na verdade ela é a vítima. Eis alguns golpes deste tipo:

Salpicando a Mina

Como funciona: o golpe consiste em vender à vítima uma suposta mina com ouro ou pedras preciosas. Para isso o golpista salpica a mina com algumas pepitas de ouro ou pedras preciosas. Ele leva a vítima para a mina, no local salpicado, e mostra que a mina ainda possui minérios para serem explorados. Este golpe foi muito comum durante as corridas do ouro.

Variante moderna: pode-se dizer que o ato de regressar o odômetro de um carro, ou então maquiá-lo antes da venda, seja uma variante moderna desse golpe. A vítima acaba comprando “gato por lebre” pensando que está fazendo um excelente negócio, ou ainda que está enganando o vendedor.

A Máquina de Fazer Dinheiro

Como funciona: o golpista se apresenta como o vendedor de uma fantástica novidade: uma máquina que fabrica dinheiro. Trata-se de uma máquina especial que de tempos em tempos emite uma cédula perfeita de 100 dólares, porém ela só funciona com uma nota a cada duas horas. O golpista alega que precisa de dinheiro urgente e que por isso não pode esperar a máquina fabricar todo o dinheiro que precisa.

Ao comprar a máquina a vítima vê maravilhada que ela, de fato, fabrica dinheiro ainda por duas ou três vezes, antes de cessar completamente e se mostrar um aparelho ordinário (e obviamente o golpista já estar a léguas de distância).

Variante moderna: por incrível que pareça este golpe ainda é aplicado da forma como foi concebida. Mas pode-se dizer que os falsificadores de dinheiro trabalham apoiados nesse esquema. Misturam notas falsas com verdadeiras e assim “diluem” as suspeitas para si.

O Prisioneiro Espanhol

Como funciona: a vítima deve coletar um dinheiro guardado e entrega-lo ao golpista. Como garantia de que a vítima não fuja com o dinheiro é exigido uma garantia financeira da vítima.

Variante moderna: esse é um dos golpes mais aplicados até hoje, devido às suas enormes variações. Na mais famosa delas, o Esquema Nigeriano, a vítima é impelida a usar o dinheiro que deveria ser recolhido na forma de impostos. Nessa variante a promessa é de que a vítima recolha algum dinheiro vindo do exterior (em geral da Nigéria).

Por usar o seu dinheiro que deveria ir para impostos, e por estar envolvido com a evasão de divisas a vítima acaba não podendo ir à polícia, pois estaria confessando crimes de sonegação fiscal.

O Telégrafo

Como funciona: um golpista recebe o resultado de um evento esportivo alguns minutos antes do que a vítima e passa para a vítima o resultado deste evento esportivo (em geral, corrida de cavalos). A vítima munida dessa informação privilegiada aposta na dica recebida ganha o dinheiro facilmente. Após mais algumas apostas a vítima é convencida a colocar todo o seu dinheiro em um determinado resultado que, obviamente, não se concretiza.

Esse golpe possui algumas variantes, mas todas lidam, basicamente em o golpista saber primeiro do que a vítima o resultado de um jogo e assim manipular as informações como melhor convier.

Variante moderna: hoje, com a tecnologia da informação avançada é praticamente impossível aplicar o golpe em sua versão clássica. Porém, muitos eventos esportivos tem resultados combinados, em especial eventos de luta onde empresários combinam com seus atletas quais devem ganhar e quais devem perder. No Brasil e na Itália houveram casos recentes de fraude envolvendo o futebol.

4.2. Sistema Persuasivo

Este tipo de golpe funciona com o golpista, de alguma forma, convencendo a vítima a entregar, espontaneamente o seu dinheiro.

Conspiração Missionária

Como funciona: ministros religiosos que induzem seus fieis a entregar o seu dinheiro, posses e bens para que estes sejam aplicados na propagação daquela religião ou seita.

Variantes modernas: algumas igrejas neopentecostais como a Universal do Reino de Deus e seitas menores como a seita de Jim Jones ficaram famosas por se valer do dinheiro de seus fiéis para atingir outros fins.

O Esquema do Romance

Como funciona: através de um site de relacionamento duas pessoas se conhecem e começam a se relacionar de forma séria. A relação avança até o ponto em que, cansados da distância, o casal decide se encontrar. A vítima então manda dinheiro para que o outro possa comprar passagens, passaporte, o que for. Mas esse encontro nunca acontece.

Guias Espirituais

Como funciona: é uma variante da “Conspiração do missionário”, porém feito com cartomantes, leitores de mão e similares. Através do uso de técnicas de leitura fria o golpista ganha a confiança da vítima e convence-o a semanalmente consultar-se com ele, arrancando vultosas somas de dinheiro da vítima.

4.3. Esquemas “Barras de Ouro”

Estes golpes consistem na venda de um item extremamente valioso para a vítima, mas que ao fim das contas, revela-se um produto comum.

O Violino

Como funciona: o golpista vende um objeto de grande valor à vítima (originalmente um violino Stradivarius). Na hora da entrega o golpista troca as sacolas/maletas e entrega um objeto ordinário.

Variantes modernas: várias, desde joias, carros, casas… É a famosa “propaganda enganosa”. Mas talvez a variante mais conhecida e utilizada no Brasil seja a venda do “Bilhete premiado”.

Gemas Tailandesas

Como funciona: nesse golpe vários golpistas convencem a vítima a comprar pedras preciosas e leva-las para casa. As pedras são legítimas, porém estão superavaliadas (+ de 200%). Na verdade os golpistas combinam entre si valores e indicam-se uns aos outros. A vítima ao comparar diferentes pedras em diferentes lojas convence-se de que aquele é o valor real das pedras.

Este golpe era muito comum em Bancoc, onde, além de tudo, os golpistas eram protegidos pela polícia e por políticos corruptos.

O Jogo de Murphy ou A Van dos Alto Falantes

Como funciona: uma van branca vendendo produtos com valor bem abaixo da média de mercado. A explicação: ponta de estoque, remanufaturados, ou ainda um pedido mal elaborado e que deixou a loja abarrotada de produtos que não podem ser estocados. Na verdade trata-se de mercadoria roubada.

4.4. Extorsão e Falso Testemunho

Chantagem

Como funciona: este tipo de golpe consiste basicamente em colocar a vítima em uma posição comprometedora para si e o golpista utiliza isso contra ela.

“Clip Joint” (não achei uma tradução apropriada)

Como funciona: a vítima é lavada a um bordel, ou mesmo um bar e nenhum de seus pedidos é atendido de acordo, porém a vítima já pagou previamente pelo serviço. Por estar em um local de péssima reputação a vítima acaba não avisando as autoridades.

Variantes: outra variação consiste em fazer com que a vítima consuma grandes quantidades de produtos ou serviços, com a promessa de que aquilo já está pago e depois apresentar-lhe a conta.

Mosca na Sopa

Como funciona: o golpe consiste em sabotar um objeto (originalmente uma comida) ou bem e assim consumi-lo/utilizá-lo de graça.

A Queda do Melão

Como funciona: o golpista leva uma caixa com, por exemplo, vidro já quebrado e esbarra na vítima, derruba o pacote, e acusa a vítima de haver quebrado a sua mercadoria. Por fim, o golpista exige uma reparação de danos materiais para não precisar chamar a polícia.

O nome desse golpe vem do Japão, onde os golpistas utilizam melões para realiza-lo (melões são muitos caros no Japão).

Fraude de Seguro

Como funciona: o vigarista, de alguma forma, faz com a vítima o atinja ou atinja algum patrimônio seu, exigindo assim reparação por danos. Na versão mais comum dois golpistas, um a pé e outro de carro, fazem o golpe: O golpista no carro anda devagar por uma rua até que um carro encoste-se a sua traseira. Então o segundo golpista é “atropelado” pelo primeiro que freia bruscamente fazendo com que o carro da vítima bata na traseira do seu (obviamente a traseira do carro é preparada para maximizar o dano).

O golpista então, com a desculpa de levar a vítima para o hospital, pede que o causador do acidente (vítima do golpe) pague algum valor, pois não quer esperar a polícia para registrar o BO.

4.5. Outros Golpes

Existem ainda muitos outros golpes como os golpes de jogos, uso de falsos distintivos, “o falso ganhador” (a vítima supostamente ganha um prêmio e para retirá-lo precisa pagara um quantia, ou então assinar determinados papéis. Muito utilizado por presos no Brasil via celular) entre outros.

5. “O CONTO DO VIGÁRIO”

Por fim, uma curiosidade. O termo “vigarista” possivelmente vem da palavra “vigário” e está relacionado ao famoso “conto do vigário”.

Segundo a pesquisadora Denise Lotufo, a expressão teria como palco uma disputa entre dois vigários em Ouro Preto, ainda no século XVIII.

Tudo começou com a disputa entre os vigários das paróquias de Pilar e da Conceição pela mesma imagem de Nossa Senhora.

Um dos vigários teria proposto que amarrassem a santa num burro que estava solto na rua. Pelo plano, o animal seria solto entre as duas igrejas. A paróquia que o burro tomasse a direção ficaria com a imagem.

O animal foi para a igreja de Pilar, que acabou ganhando a disputa. Mais tarde teria sido descoberto que, o burro era do vigário dessa igreja. Segundo a pesquisadora, essa é uma das possíveis origens da palavra vigarista.

Já os escritores Fernando Pessoa e Antônio Bagão Félix, contam que alguns bandidos tentavam tomar dinheiro de incautos usando a história de uma herança que teriam ganhado, de um vigário ou por intermédio de uma história escutada por um vigário, mas que para isso teriam que pagar várias taxas e outras quantias. (Pessoa, Fernando; Félix, António Bagão. O Conto do Vigário. [S.l.]: Centro Atlântico, Portugal, 2011. 40 p.).

6. CONCLUSÃO

Quase todas as vítimas deste tipo de esquema, são vítimas de sua própria ganância. O fato de alguém querer levar vantagem sobre o outro é o primeiro passo para ser enganado.

Que nós, como estudiosos da “arte de enganar” possamos utilizá-la apenas para o entretenimento. E mais, que possamos ajudar os incautos a se prevenirem de pessoas gananciosas. Como disse o ator argentino Ricardo Darín sobre seu filme “Nueve Reínas”: “Não faltam otários no mundo, faltam bons empresários”, ou seja, pessoas que serão enganadas não faltam. Apenas que nem todos ainda querem enganar o seu próximo.

Amplexos!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Além dos livros já citados;

http://pt.wikipedia.org/wiki/Conto_do_vigário

http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_confidence_tricks