A LANTERNA MÁGICA

Há cerca de 600 anos, antes mesmo do homem sonhar com cinemas ou televisões, um cientista veneziano, à frente de seu tempo, deixou anotado em seu tratado “Liber Instrumentorum” as anotações da construção de um dispositivo que ficaria conhecido como “A Lanterna Mágica”, o mecanismo foi precursor dos projetores de diapositivos e avô dos modernos projetores de multimídia.

As imagens eram imagens pintadas sobre placas de vidro, colocadas dentro da Lanterna Mágica e ampliadas ao serem projetadas sobre uma tela. A lanterna mágica logo converteu-se em um popular instrumento de entretenimento e comunicação por antonomásia de toda uma época.

Projeção doméstica de uma Lanterna Mágica

O INÍCIO DE TUDO

Aquele era um tempo de grandes descobrimentos; época em que as pessoas mais detidamente certos fenômenos e, por isso mesmo, ampliava, mais até do que agora, o horizonte de suas mentes. E este senso de descobrimento foi um dos catalisadores do sucesso da lantarna mágica. Umas das primeiras descrições sobre o aparelho, ainda que tenha sido meramente um esboço rudimentar, foi feita por Giovanni Fontana em 1420. Ainda que não explicasse em detalhes o fenômeno, foi ele quem descreveu os conceitos-base do funcionamento da lanterna.

Tempos mais tarde outros desenvolveram a idéia-base de Fontana: Giovanni Baptista della Porta (1590), Athanasius Kircher (1650), Christian Huygens (1659) e outros que desenvolveram e aprimoraram a câmera. Justo ou não, o fato é que até hoje o nome que aprece creditado à invenção é o do alemão Athanasius Kricher, um padre jesuíta e que usava a Lanterna Mágica para ilustrar histórias bíblicas. A lanterna de Athanasius era, basicamente, uma câmera escura ao contrário.

POR QUE “LANTERNA MÁGICA”?

Como na época, ainda não existiam cinemas, e ppor isso raros eram os que conheciam o conceito de projeção, ninguém tinha a mais remota idéia de onde vinham aquelas imagens que apareciam por cima do público em uma parede ou uma tela.

Que outra explicação poderia ter tão estranho fenômeno, salvo que fosse algo sobrenatural ou então simplesmente mágico? Daí, para a associação destes espetáculos a forças ocultas era apenas um detalhe. Possivelmente neste ponto é que tenha sido cunhado o termo “Lanterna Mágica”.

DESCRIÇÃO DOS EQUIPAMENTOS

Os dispositivos mais simples eram formados por uma caixa com uma lamparina de azeite, uma chaminé que expelia a fumaça e evitava que a chama se apagasse e uma lente. A fonte de luz, a princípio eram velas e lamparinas de azeite. Mas alguns “iluminados” tiveram a idéia de usar outros tipos de luz mais intensas, frutos de reações químicas como a luz hidrogenizada e luz acetilênica. Porém, foi com o advento da lâmpada elétrica que estes aparelhos tiveram seu ápice.

Desenho esquemático de uma Lanterna Mágica

Desenvolvimentos posteriores fariam com que as imagens ganhassem movimento, através de uma placa fixa e outra móvel colocadas de forma sobreposta. A ilusão de movimento estava criada, ainda que esta fosse muito rudimentar.

Diferentes modelos de Lanternas Mágicas. Observe os modelos "orientais" abaixo, sendo o da esquerda com temática indiana e o da direita, similar a um pagode japonês.

OS EFEITOS ESPECIAIS

A grande sensação das apresnetações da Lanterna Mágica era o que hoje chamaríamos de efeitos especiais, as: “Visões Dissolventes” Por meio de um par de diapositivos, um jogo de lentes e mais alguns mecanismos, podiam ser simulados uma troca de estado, por exemplo, uma paisagem vista de dia e em seguida vista de noite; vista no inverno e no verão; um barco navegando em um mar calmo e em seguida sob uma poderosa tempestade.

Os sistemas destes dispositivos, assim como sua forma de iluminação iriam sendo modificados dando origem a novos efeitos especiais, tais como: Panoramas, Polioramas, Diafanoramas, Cosmoramas, Silforamas, etc.

O Panorama permitia observar em uma parede de formato cilíndrico uma paisagem vista em 360 graus, mostrando assim um panoramaa de toda a paisagem. O espectador permanecia de pé, ao centro do cilindro e de repente se via em meio a uma cidade ou outra locação qualquer. Variando a iluminação, as pinturas e outros detalhes técnicos, se vizualizavam as mesmas paisagens em situações distintas, chegando a projetar ficções e visões fantásticas em uma sucessão de quadros, tais como se fora um filme moderno. Se tratava de um poderoso ilusionismo visual, uma verdadeira mágica.

O ESPETÁCULO

A lanterna alcança seu apogeu no final do século XIX, quando estes equipamentos eram fabricados em todos os tipos e tamanhos, desde pequenas lanternas de jogos para crianças, até aquelas dedicadas às grandes apresentações nos maiores teatros da época.

A algum “showman” do final do século XVII ocorreu uma brilhante idéia: “E se, ao invés de estabelecer-se de forma permanente em alguma cidade, por que não viajar, conhecer o mundo, divertir-se e de quebra, levar a magia da lanterna aos lugares mais remotos?”

É desta maneira que os primeiros lanternistas começam a viajar continuamente apresentando seu espetáculo e, dado seu caráter itinerante, exibiam-se em hotéis, pousadas e castelos. Levavam todo o seu equipamento nas suas costas, anunciando seus espetáculos com pandeiros, órgãos ou qualquer outro instrumento, buscando chamar a atenção de seu “respeitável público”.

Caricatura de um Lanternista itinerante anunciando o seu show.

Quando o espetáculo da Lanterna Mágica ia para as salas de teatro, se convertia em um verdadeiro show, já que contava com um apresentador ao vivo que ia explicando as imagens e era acompanhado por alguns músicos, que faziam a trilha sonora, segundo a imagem que aparecia, levando a plateia a um verdadeiro êxtase.

Apresentação de um show de Lanterna Mágica em um teatro

Porém no final do século XIX, surge um novo invento, o Cinematógrafo, que vem a se tornar o mais ferrenho competidor da Lanterna Mágica, e que acabou arrebatando a atenção do público. O Cinema com suas imagens em movimento contínuo acabam por decretar o fim da Lanterna Mágica, que acabaria se tornando apenas mais uma peça de colecionadores.

Hoje ainda em alguns lugares da América do Norte e da Europa se realizam exibições da Lanterna Mágica, onde colecionadores e historiadores apresentam o aprelho e contam um pouco da sua história. Eles ainda usam os mesmos instrumentos e vestuário daquela época.

Abaixo segue um vídeo mostrando o funcionamentode uma Lanterna Mágica

No próximo post falarei sobre um tipo de apresentação usando a Lanterna Mágica e que foi um dos mais populares no auge da Lanterna Mágica e serviu de base para muitas mágicas de palco. Mas como um bom mágico não revela o que vai fazer, vocês só saberão sobre essa apresnetação no próximo post.

Até lá!

Amplexos!

FONTES

http://www.luikerwaal.com/indexx_uk.htm

http://blog.makezine.com/archive/2010/03/lost_knowledge_magic_lanterns.html

http://historiaycuriosidadesdelilusionismo.blogspot.com/2009/09/la-linterna-magica.html

http://www.acmi.net.au/AIC/PEEP_SHOW.html

http://pardalitos.blogs.sapo.pt/2007/03/

ILUSTRES DESCONHECIDOS

Em homenagem ao dia do mágico (hoje, dia 31/01), resolvi homenagear os mágicos de uma forma diferente: Resgatando alguns números clássicos de palco que fizeram sucesso há muitos anos atrás e que hoje são completamente desconhecidos. Foram eleitas rotinas, que ealém de uma boa descrição, tivessem imagens do efeito que o espectador observava. Secretamente, é minha forma de  estimular os novos mágicos através da máxima: “Se quer mágicas novas, procure em livros velhos”.

É interessante observar que os números antigos eram consoantes com o “zeitgeist” daquela época. Em um tempo onde o espirítismo era deveras latente, e por que não dizer, era moda entre a elite da época invocar espíritos, os mágicos souberam usar isso a seu favor, criando números que beiravam o sobrenatural, e algumas vezes até se confudiam com as próprias sessões espíritas, como o número “A Invocação dos Espíritos”, onde esqueletos e fantasmas surgiam e desapareciam do palco ao comando do mágico.

Abaixo selecionei alguns números clássicos que tivessem, além da descrição, uma representação gráfica do efeito. A ideia é mostrar um pouco do espírito daquela época, da atmosfera que cercava a mágica e os mágicos. E a qual, eles souberam aproveitar muito bem.

Lembrando que basta clicar na imagem para ampliá-la.

A MEIA PESSOA

Este número é uma variante do também clássico “A cabeça-falante”, onde uma cabeça humana, posta sobre uma bandeja em uma mesa, conversava com a platéia.

Em uma pequena galeria, com cortinas de ambos os lados, flores, abajures, etc. E de ambos os lado, dois corrimões completam o cenário.  Uma pessoa repousa sobre um aparador em cima de uma mesa. O detalhe, é que esta pessoa não possui os membros inferiores. A bem da verdade, do umbigo para baixo não há nada além do aparador e da mesa, que pode ser observada vazia por entre as suas pernas.

Esta meia pessoa, está viva, bem e interage com o público, que pode inclusive se aproximar da meia pessoa. Realmente um número clássico, e na minha opinião, lindo.

METEMPSICOSE

Metempsicose, segundo o Dicionário Houaiss, é “movimento cíclico por meio do qual um mesmo espírito, após a morte do antigo corpo em que habitava, retoma à existência material, animando sucessivamente a estrutura física de vegetais, animais ou seres humanos; reencarnação“; ou seja, uma alma animando um objeto inanimado. E é exatamente essa a descrição do efeito.

Uma armadura medieval é colocada no palco com suas partes desmontadas. Um assistente sobe ao palco e começa a limpar e montar a armadura. Assim que ele termina e se afasta da peça, a armadura ganha vida, e começa a perseguir o assistente por todo o palco, cutucando-o e mexendo com ele, até o momento em que ela volta à posição inicial no palco. O assistente, morto de medo,  chama o mágico para mostrar o ocorrido, mas a armudura está outra vez inanimada. O mágico então desmonta a armadura, peça por peça e encerra o número zombando da cara do assistente, enquanto retira ele do palco.

O PALANQUIM MÁGICO

Palanquim é uma espécie de liteira, uma “cama” com quatro hastes, outrora muito comum na região da Índia e da China, onde os nobres eram levados por quatro escravos (um cada haste). O palanquim ia supenso apoiado no ombro desses escravos.

Este é um efeito simples, clássico, e por isso mesmo muito belo e intrigante. Um palanquim é trazido ao palco por quatro escravos, com uma assitente repousada nele. As cortinas do palanquim se fecham e após serem abertas a assistente desaparecia. A seguir, os escravos se retiravam do palco.

O grande diferencial desse número à sua época era o fato de o palanquim ficar o tempo todo suspenso pelos quatro escravos, a mais de 1,5 metro do chão, sendo possível inclusive observar a parte inferior do palanquim.

A ARCA DE NOÉ ou APÓS O DILÚVIO

Confesso que fiquei muito desejoso de postar a imagem deste truque revelado, dado a beleza e a sutileza do segredo desse núemro. omo este não é de forma alguma o objetivo do blog, peço ao leitor que use toda a sua imaginação ao ler a descrição do efeito dessa mágica.

A rotina consiste em uma grande caixa, no formato de um barco (ou arca, se preferir) que é trazida ao palco e colocada sobre alguns cavaletes (ou seja, a parte de baixo fica completamente visível ao espectador). O mágico e seu assistente mostram que a caixa está completamente vazia: eles abaixam as tampas frontais e posteriores da caixa-arca , bem como as tampas das partes curvas (em forma de proa e popa).

Então, eles fecham as tampas e começam a encher a caixa-arca de água, através de um funil. Assim que uma quantidade suficiente de água foi colocada na caixa-arca, o mágico abre as janelas da caixa-arca coloca a sua mão lá dentro e começa a retirar galinhas, pombos, patos, cachorros, gatos e quaiquer outros animais que sejam da vontade do mágico.

A seguir, a tampa frontal da caixa é aberta e uma assitente aparece lá dentro. A beleza da mágica está em não haver espaço suficiente para todos (animais e assistente) dentro da caixa-arca, e mais do que isso, pelo fato de todos saírem completamente secos da arca.

STELLA

Essa, com certeza, foi a rotina que mais me impressionou. Tentei visualizar a cena e imaginar este como um número de abertura e, admito,  fiquei completamente abismado.

Um pequeno palco é ladeado por duas cortinas negras. No centro, apenas a cabeça flutuante de uma mulher (sendo o nome da rotina “Stella”, presume-se que seja este o nome da cabeça de mulher). Ela está viva e conversa com o público. Ela chega inclusive a reclamar do colar que ela usa, achando um tanto “brega”.

Quando o mágico “se cansa” de Stella, ele pede que ela assopre uma vela e a seguir retira a vela do palco, por alguma das cortinas laterias. Por fim, o mágico anuncia à plateia que vai abrir um painel abaixo de onde pairava a cabeça da mulher para mostrar que ela não possui corpo. Ele assim procede e abaixo da cabeça da mulher estão uma mesa com uma vela; a mesma vela que ela assoprou.

Só peço desculpas aos leitores do blog por não citar a fonte de onde tirei estas belíssimas imagens, uma vez que este site é um site pró-exposure.  Peço que entendam.

Abraços!

OS RELÓGIOS MISTERIOSOS

Um show de mágica foi anunciada em uma cidade como “Duas Horas de Mágica”. O show deveria começar às 20:00 horas. No hora do show, o teatro estava lotado. 20:00 em ponto e as cortinas continuavam fechadas. 20:30 e nada de show. 21:00, 21:30… Os espectadores começaram a ficar zangadas, mas ninguém deixou o teatro.

Às 22:00 as cortinas se abriram e o mágico subiu ao palco. Agora as pessoas queriam esganá-lo. Vaiaram o mágico e lhe perguntaram se o o espetáculo não deveria ter começado às 20:00. O mágico gentilmente lhes respondeu: “Mas senhoras e senhores, olhem para os seus relógios. São 20:00

Todos olharam para os seus relógios e espanto: Todos os relógios marcavam 20:00 em ponto. Todos ficaram muito confusos.

Mas isso não foi nada se comparado a que viria depois. De repente o teatro começou a encher-se de água Logo todos estavam com água até a altura do pescoço e começaram a gritar: “Por favor Senhor Mágico… Nós todos vamos nos afogar“. Então, tão logo toda a água desapareceu, todos estavam completamente e misteriosamente secos.

Neste momento o mágico diz: “Eu gostaria de agradecer a vocês, senhoras e senhores, por virem ao meu show. Este é o fim“.

O quê?” todos disseram, “Você começou o seu show não faz nem cinco minutos“.

Não” disse o mágico. “Eu anunciei ‘Duas Horas de Mágica’ e foi isso que eu dei a vocês. Por favor olhem seus relógios

Todos olharam e, você já sabe, todos os relógios marcavam 22:00.

Com isso todos ficaram pasmos, atordoados demais para reagir.

Esta é uma lenda muito comum nos países Latinos Americanos e na Espanha. Como toda lenda existem algumas variantes, por exemplo sem a água no teatro.

Possivelmente ela tenha nascido da união de várias lendas/histórias. O mais provável é que tenha nascido do causo de um mágico em Londre s que disse que entraria em uma garrafa, e mais um monte de outros efeitos fantásticos. Pois bem, o mágico anunciou o show, vendeu os ingressos e nunca apareceu. a multidão enfurecida incediou o teatro.

Já o trecho da inundação pode ter vindo de um espetáculo de Cervantes chamado “El Retablo de las Maravillas” uma releitura de “A Roupa Nova do Rei”. Alguns dizem ter em visto uma inundação e de repente criou-se um delírio coletivo.

Fonte: Mago Marco na  e-zine “The Learned Pig” Vol. 1 Nº 1 de 29 de setembro de 1999.