MANDRAKE, O MÁGICO

1. INTRODUÇÃO

O mágico não é a figura mais popular da cultura pop. Embora cause espanto e admiração, a figura do mágico não “colou” no imaginário popular. Muitos ainda associam a figura do mágico um trapaceiro. E quando pensam em mágico a imagem é quase sempre a mesma: fraque preto, cartola e muitas vezes um bigode estilo francês ou cavanhaque.

Essa imagem do mágico de fraque e cartola é fruto em parte da figura de Mandrake, um personagem da editora King Features Syndicate, e que ajudou a incutir no imaginário popular o estereótipo do mágico.

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2. O PERSONAGEM

Mandrake foi criado em 1934 por Lee Falk, que inseguro de sua habilidade como desenhista, Lee escolheu o Phil Davis para dar os traços ao herói. Assim com roteiro de Lee Falk e desenhos de Phil Davis nascia, em 11 de junho de 1934, a primeira história de Mandrake, entitulada: “The Cobra”. A história durou 24 capítulos e encerrou-se em 24 de novembro de 1934.

Lee Falk, criador de Mandrake
Lee Falk, criador de Mandrake

Em 10 de agosto de 1935 Mandrake chegou ao Brasil pelas mãos de Max Yantok (pseudônimo de Nicolau Cesarino) editor da revista “Suplemento Juvenil”. A primeira história publicada aqui recebeu o título de “Sourcin, o sábio louco” (“The monster of Tanov Pass”), onde, durante uma viagem aos Montes Cárpatos, Mandrake e Lothar, supreendidos por uma tempestade, abrigam-se no castelo do professor Sorcin, o qual escondia um terrível montro macaco com cérebro humano. Na edição original essa é a terceira história escrita.

Exemplar da Revista Suplemento Juvenil, a precursora das histórias de Mandrake de 1937
Exemplar da Revista Suplemento Juvenil, a precursora das histórias de Mandrake de 1937

Mandrake mora em Xanadu, uma propriedade fantástica no alto de uma colina. É noivo da princesa Narda de Cockaigne, herdeira do trono de Cockaigne, filha do rei Karl e da rainha Isabela herdeira de um trono. Mandrake conta ainda com a ajuda de seu companheiro inseparável, Lothar, um príncipe africano que abandonou sua tribo para acompanhar o mágico.

Lothar, Mandrake e Narda na edição 01 da revista Mandrake, editora RGE
Lothar, Mandrake e Narda na edição 01 da revista Mandrake, editora RGE

Os poderes de Mandrake são a hipnose e a comunicação telepática. Ele é capaz de hipnotizar instantaneamente qualquer pessoa (incluindo inimigos). Ao executar o seu gesto hipnótico, mandrake “transforma” a arma do vilão em um buquê de rosas ou uma pomba. Mandrake também pode comunicar-se telepaticamente com qualquer pessoa. Mandrake ganhou os seus poderes através de anos de estudo em um Colégio de Mágica que fica em um ponto desconhecido no Himalaia.

O arqui-inimigo de Mandrake é o Cobra, um mágico negro poderoso que deseja se apossar dos Cubos de Cristal, artefatos esses que ampliariam infinitamente o poder mental do seu possuidor, para assim poder dominar o mundo. Os dois cubos estão um em posse de Mandrake e o outro de Theron, pai de Mandrake. Cobra usa uma máscara que esconde o seu rosto. Tempos mais tarde, Mandrake viria a descobrir a identidade secreta do Cobra: trata-se de seu antigo professor no Colégio de Mágica Luciphor, filho mais velho de Theron e, meio-irmão de Mandrake. Aliás, Theron também merece uma citação: ele é o grão-mestre do Colégio de Mágica e de acordo com a mitologia da série ele teria centenas de anos, já foi casado doze vezes e tem entre 30 e 40 filhos, dos quais só quatro estão vivos: Luciphor, Derek, Mandrake e Lenore.

Luciphor, meio-irmão de Mandrake, sem a máscara
Luciphor, meio-irmão de Mandrake, sem a máscara

Outros inimigos de Mandrake são o seu irmão gêmeo malvado Derek (que viria a se unir com Luciphor contra Mandrake), Ekardnam um “clone invertido” de Mandrake que vive no mundo do espelho, Saki, um mestre dos disfarces de alcunha “Clay Camel” e a filha de Camel, “The Brass Monkey”, chamada assim por sempre deixar um macaco de bronze nos locais de seus crimes.

Luciphor e Derek unindo poderes contra Mandrake
Luciphor e Derek unindo poderes contra Mandrake

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3. A REPERCUSSÃO DAS HISTÓRIAS

Mandrake tornou-se extremamente poular nos anos 30 e 40 e deu origem a uma série de outros heróis mágicos, como Zambini, Drago e Kardak, pela editora Archie; Zatara pela DC Comics; Visão e Dr. Estranho, ambos pela Marvel. Na Itália, Mandrake ganhou uma versão local criado pela editora Nerbini e desenhada por Galep, o artista de Tex. Outro autor de Tex, o criador Gianluigi Bonelli, criou “Ipnos, o Rei da Magia”, em 1946, também com base em Mandrake.

Super heróis mágicos, baseados em Mandrake
Super heróis mágicos, baseados em Mandrake

No Brasil os quadrinhos de Mandrake foi publicado por diversas edioras, mas teve o seu apogeu nas décadas de 60 e 70 pelas mãos da editora RGE. Ela publicou os quadrinhos até os anos 80, quando por diversos fatores, dentre eles o desinteresse da King Features e a decadência da RGE, quando o gibi foi cancelado.

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4. Leon Mandrake

Lee Falk inspirou-se em um mágico real para a criação de seu herói: Leon Mandrake. Nascido Leon Giglio em 11 de abril de 1911, Leon foi um mágico ítalo-americano, mentalista, ilusionista, escapista, ventríloquo e dublê-performático. Leon estudou os grandes nomes do vaudeville e aos 11 anos começou sua própria carreira vaudevilliana em sua cidade natal no Edison Theater. Aos 14 passou-se a apresentar no “Moyer’s Carnival” em uma feira nacional. Nessa época aprendeu novas habilidade como comer fogo, leitura da mente e ventriloquismo. Ao 16 excursionou com o “Ralph Richard’s Touring Magic Show” por 6 meses ao longo de toda a América do Norte. A partir de 1930, com 19 anos, Leon passou a excursionar com o seu próprio show.

Leon Mandrake, 1939
Leon Mandrake, 1939

O visual de Mandrake foi copiado inteiramente de Leon: cartola negra, capa preta de fundo escarlate, bigode fino. Na vida amorosa a arte também imitou a vida: Leon fio casado duas vezes, sua primeira esposa era sua assistente de palco, chamada Princesa Narda. Em 1946, Leon separou-se de Narda e perdeu sua assistente de palco. Meses depois, Leon conheceu Louise Salerno, uma atriz e dançarina vinda de uma família de artistas. Após duas semanas excursionando juntos, Leon e Louise se casaram em uma cerimônia simples. Duas horas após o casamento o casal já estava no palco se apresentando.

Leon e sua Esposa Velvet (Louise) em uma apresentação de mágica
Leon e sua Esposa Velvet (Louise) em uma apresentação de mágica

Mandrake continou excursionando até os anos 50, quando a TV começou a tirar o público dos teatros. Pensando em migrar para a TV, Leon comprou os direitos de imagem de Alexander, bem como o seu material e criou um show para a TV chamado “Alexander, o Grande”. O seu programa durou de 1955 a 1956. Em 1963 fez um novo programa diante de uma plateia ao vivo, chamado “Mandrake Special”, além de participações em séries diversas.

Leon Mandrake
Leon Mandrake

A sua última apresnetação foi em 1985 para um festival de chocolates em Victória, no Canadá. Em 27 de janeiro de 1993, Leon Mandrake faleceu. Um memorial foi criado no Paramount Theater (antigo Edison Theater) em homenagem à Leon Mandrake lembrando que ali fora o local de sua primeira apresentação.

Programa do show de Mandrake - 1947
Programa do show de Mandrake – 1947

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5. Curiosidades

Alguns consideram Mandrake como o primeiro super-herói dos quadrinhos. Isso porque ele tee algumas aparições nos quadrinhos “The Advetures of Patsy”. Nessa história o Mandrake era chamado de “O Mágico Fantasma”. E quem era o escritor de “As Aventuras de Patsy”? Lee Falk. Aliás, Lee Falk também criou outro personagem famoso dos quadrinhos: O Fantasma.

A editora King Features Syndicte criou uma biografia ficcionalizada para Lee Falk segundo a qual ele teria nascido Leon Harris Gross, e acabou adotando o sobrenome Falk de seu padastro como forma de homenagem. Albert Falk Epstein, padrasto de Leon era um viajante mundial famoso e que se especializou no estudo das religiões orientais. Daí a inspiração de Lee para as obras de Mandrake e O Fantasma.

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BIBLIOGRAFIA

Site: Wikipedia em Pt-Br

Site: Wikipedia em Inglês

Site: Guia dos quadrinhos

Site: Webcomic Overlook

Site: Mandrakewiki

Site: Enciclopedia HQ

Site: Clay Camel

Site: Magicpedia – Leon Mandrake

Site: Wikipedia

Documentário: Mandrake, a magic life

VAUDEVILLE – A INDÚSTRIA DO ENTRETENIMENTO

“Há algo aqui para todo mundo.”

B. F. Keith

1. INTRODUÇÃO

O Vaudeville foi o gênero de espetáculo que praticamente definiu a indústria do entretenimento a partir do século XX. De Holywood à Broadway, e até o Superbowl, todos, de uma forma ou de outra, beberam dessa fonte. Sua importância é tão profunda que não é exagero dizer que o vaudeville está na gênese do “american way of life”. Muitos artistas do cinema, televisão, cantores, mágicos, humoristas e malabaristas começaram a sua carreira no vaudeville. Especificamente, no ramo do ilusionismo, o vaudeville foi símbolo do ápice da era de ouro na mágica.

Senhoras e senhores, com vocês, o maior espetáculo da terra: o vaudeville.

"Como entrar no Vaudeville" (Clique na imagem para ampliá-la)
“Como entrar no Vaudeville” de Frederic La Delle
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2. ANTES DO VAUDEVILLE

Na América pós-guerra civil, existiam diferentes formas de entretenimento. Uma das formas mais comuns era o teatro de variedades, que consistia em uma ariedade de shows em um mesmo local; na mesma noite um espectador assistia uma peça de Shakespeare, uma cantor cômico e acrobatas. Alguns circos excursionavam pela América apelando ainda à outros expedientes como o circo de curiosidades, bizarrices ou horrores, como queira.

Cartaz de show de ministrel (Clique na imagem para ampliá-la)
Cartaz de show de ministrel
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Outra exibição artística era o show dos menestréis que foi considerado por alguns como “a primeira emanação de um pervasivo e puramente da cultura de massa americana”, ao poto de ser chamada de “o coração do show-business do século dezenove”. Além disso, havia ainda os “Shows Médicos” que viajavam pelo país com atrações artísiticas e, de quebra, vendiam tônicos milagrosos e elixires restauradores, e os “Shows do Oeste Selvagem” que trazia uma visão romantizada da conquista do Oeste Selvagem. Mas o nome mais famoso dessa era foi o de Phineas Taylor Barnum.

Cartaz anunciando um show de Oeste Selvagem (Clique na imagem para ampliá-la)
Cartaz anunciando um show de Oeste Selvagem
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P. T. Barnum foi um empresário do ramo de entretenimento que viajava pelos EUA com a sua trupe de variedades “Barnum’s Grand Scientific and Musical Theater”. Em 1841 Phineas comprou o “Scudder’s Museum of America” em Nova York e o transformou no “Barnum’s America Museum” onde expunha várias atrações fajutas – como a sereia de Fiji – e bizarrices, como os irmãos siameses Chang e Eng. Em 1865 o museu é destruído por um incêndio de origem desconhecida. Ele então inaugura um novo museu em outro endereço de Nova York. Este segundo museu também é destruído por um incêndio em 1868. As perdas financeiras foram grandes demais e Barnum se retira do ramo de museus, mas não do ramo artístico.

Phineas Taylor Barnum (Clique na imagem para ampliá-la)
Phineas Taylor Barnum
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Em 1871 Barnum inaugura o seu circo itinerante, o “P. T. Barnum’s Grand Traveling Museum, Menagerie, Caravan & Hippodrome”. Seguindo o conceito de circo itinerante e show de bizarrices, Barnum passa a viajar por todo o país. Estava lançado a base sobre o qual o vaudeville seria construído.

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3. A ORIGEM DO “VAUDEVILLE”

Originalmente, o termo vaudeville referia-se especificamente a uma companhia de entrentenimento de variedades e começou a ser usada em 1871 com a formação do “Sargent’s Great Vaudeville Company” de Louisville, no Kentucky. “Vaudeville” teve muito pouco, se não nada, a ver com o “vaudeville” do teatro francês.

Aliás, a origem do termo traz divergências, mesmo entre os estudiosos do ramo. O empresário M. B. Leavitt sustentava que o termo vaudeville vem do francês “vaux de ville”, que significa “digno da cidade” ou “digno da população da cidade”; por outro lado, Albert McLean defende a tese que o termo foi escolhido apenas “pela sua sonoridade exótica, imprecisão e por trazer consigo um certo cavalheirismo”.

MB Leavitt (Clique na imagem para ampliá-la)
Michael B. Leavitt
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O show de Leavitt e o de Sargent em si variavam muito pouco do que já vinha sendo apresentado pela América (inclusive por PT Barnum), no entanto por usarem a expressão vaudeville, isso lhes trouxe uma áurea de maior respeitabilidade junto ao público. E essa foi a grande sacada do vaudeville.

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4. UM SHOW PARA TODOS

No começo da década de 1880, Tony Pastor, um cantor que trabalhava para Barnum no “Scudders…”, começou a atuar por conta própria no “Robert Butler’s American Music Hall”, um teatro localizado no nº 444 da Broadway. Seus shows fizeram grande sucesso, especialmente com o público masculino, em função de seus números cômicos e de música popular. Foi aí que Tony percebeu que poderia ganhar muito mais se ao invés de focar apenas no público masculino, focasse os espetáculos também para o público feminino e até infantil.

Tony Pastor (Clique na imagem para ampliá-la)
Tony Pastor
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Assim, Tony criou diversos shows de variedades, que iam de operetas, espetáculos humorísticos e curiosidades direcionado a todos os públicos e idades. Em 1874, mudou-se para um teatro maior, ainda na Broadway e finalmente em 1881, mudou-se para o antigo Teatro Germania onde estabeleceu seu show variedades orientado à família. Foi o início formal do vaudeville. O plano de Pastor foi um enorme sucesso, pois atingia em cheio a nova classe média urbana norte-americana.

Embora Tony Pastor seja o fundador “oficial” do vaudeville, o “hours concurs” dessa era foi Benjamin Franklin Keith, considerado por muitos como o verdadeiro “pai” do vaudeville. B. F. Keith começou no ramo do circo itinirante como um golpista na década de 1870 e também trabalhou para PT Barnum. Em 1883 ele mudou-se para Boston onde estabeleceu seu próprio museu. Seu sucesso foi imediato e permitiu que ele construísse o seu próprio teatro. Assim, em 1885 inauguraram o Teatro Bijou. O teatro encantava pela sua magnificiência: instalações modernas e luxuosas e à prova de fogo, O primeiro espetáculo oferecido por BF Keith eram cinco apresentações diárias de Mikado de Gilbert e Sullivan, onde o ingresso era vendido à dez centavos o assento.

BF Keith (Clique na imagem para ampliá-la)
Benjamin Franklin Keith
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Com o Bijou, Keith estabeleceu um novo padrão que moldaria os teatros dali em diante, com a fixação de uma política de limpeza e ordem. Keith gerenciava o seu teatro com mãos-de-ferro, julgando e censurando cada artista e cada apresentação que passava em seu teatro, sempre primando pela decência. Ele proibia veementemente a vulgaridade em seus atos e quaisquer palavras, atos ou gestos que atentessam contra os bons costumes. Sua obsessão pela “pureza de seus shows” foi tanta que Keith chegou ao ponto de pedir que um dignitário da Escola Bíblica Dominical assistisse os ensaios e emitisse a sua opinião sobre os números.

Gravura do Bijou Theater de 1883 (Clique na imagem para ampliá-la)
Gravura do Bijou Theater de 1883
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Mas o grande trunfo de Keith foi sua habilidade em ligar os shows considerados de “alto” e “baixo” entretenimento. Ele reforçou a imagem de que seus teatros ofereciam shows modernos e “legítimos” o que trouxe um novo público ao teatro, mas ainda oferecia amostras dos antigos shows de variedades do pós-guerra Civil o que manteve o público cativo. Essas duas amostras coexistiam pacificamente e cobriam as mais diversas áreas e gostos do público. Sobre essa habilidade, o sócio de Keith, Edward Albee escreveu que nos teatros de Keith, que “há algo aqui para todo mundo”.

Outro grande acerto de Keith foi a sua política de performance contínua que dominou o vaudeville durante quase duas décadas. Durante 12 horas ininterruptas, os atos eram apresentados por duas ou três vezes de forma alternada. Essa continuidade eliminou o que Keith via como “hesitação” por parte do público de entrar no teatro até que ele estivesse “mais cheio”. Essa ideia encaixou-se como uma luva com as condições de vida das novas metrópoles urbanas pois havia espetáculo durante a troca de turno das fábricas, hora no qual havia enorme abundância de pessoas andando pelas ruas.

Muitos, porém, consideravam o vaudeville uma forma menor de entretenimento, destinado às classes mais baixas da população e não-digna de valor, somado a um exagero no luxo dos teatros (também chamados de palácios, dada a sua opulência). Em 1894, na noite de inauguração do Novo Teatro de Keith, em Boston, um jornalista escreveu:

“A era da luxúria parece ter atingido o seu estado-da-arte. Essa verdade nunca ficou tão evidente quanto na visita ao palácio de Keith. É quase incrível que toda essa elegância esteja à disposição do público, tanto de ricos, como de pobres.” 

De fato, a política de controle de conteúdo imposta por Keith, bem como suas regras de “limpeza e ordem”, se aplicavam também ao público, e permitiram que a população menos abastada pudesse ir ao teatro e garantia o seu comportamento. Como garantia, porém, Keith colocava vigias armados nos teatros que, ao verem suas regras serem descumbridas, discretamente entregavam aos infratores pequenos cartões com as regras da casa, como por exemplos:

  • Cavalheiros gentilmente evitarão levar cigarros, charutos acessos dentro do teatro. A Gerência.
  • Damas devem retirar o seus chapéus dentro do teatro. A Gerência.
  • Cavalheiros evitarão fazer barulhos com seus sapatos ou sua bengala enquanto caminham. A Gerência.
  • O aplauso é melhor demonstrado apenas batendo as mãos. A Gerência.
  • Por favor, não converse durante os atos. Isso incomoda os que estão próximos de você e impede uma audição perfeita do espetáculo. A Gerência.

Caso a solicitação do vigia não fosse atendida, o infrator era chamado à atenção pelo vigia-chefe assistente, em seguida pelo vigia-chefe e por fim pelo gerente do teatro que pedia ao infrator que se retirasse. Essa metodologia educou a nova classe média frequentadora dos teatros e mudou os padrões comportamentais da época. Sobre isso, Keith escreveu: “O público precisava ser educado dessa forma”.

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5. OS MAIS FAMOSOS ARTISTAS DO VAUDEVILLE

Eis alguns artistas que participaram, iniciaram ou fizeram fama no Vaudeville:

  • Charles Chaplin;
  • Bob Hope (ator e apresentador);
  • A dupla Abbott & Costello (dupla de humoristas);
  • Os irmãos Marx (Groucho, Harpo e Chico), sendo Groucho Marx o mais conhecido;
  • Will Rogers (ator e apresentador);
  • Mae West (atriz que deu origem ao conceito de garota pin-up);
  • Sammy Davis Sr. (trompetista de jazz);
  • Duke Ellington (considerado o fundador do jazz moderno);
  • Ella Fitzgerald (cantora de jazz);
  • Judy Garland (atriz mirim);
  • Gene Kelly (dançarino, estrelou entre outros filmes: “Cantando na Chuva”);
  • Babe Ruth (o mais famosos jogador de beiseball de todos os tempos);

Já no segmento “mágicos” temos ninguém menos do que:

  • Howard Thurston;
  • Charles Carter;
  • Alexander (the man who knows);
  • Harry Blackstone Sr.;
  • Cardini;
  • Chung Ling Soo;
  • Thomas Nelson Downs;
  • Horace Goldin;
  • Theodore Hardeen (irmão de Houdini);
  • Alexander Herrmann;
  • Harry Houdini;
  • Harry Kellar;
  • Dai Vernon;
Alguns mágicos que fizeram parte do vaudeville (Clique na imagem para ampliá-la)
Alguns mágicos que fizeram parte do vaudeville
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6. O FIM DE UMA ERA

O vaudeville durou até o início da década de 1930. Estudiosos apontam como motivos para o fim do vaudeville o início da era do cinema aliada à invenção da televisão. Com a popularização dessas mídias muitos artistas migraram dos teatros para as telas: Charlie Chaplin, Gene Kelly, Mae West e Bob Hope talvez sejam os nomes mais famosos.

Outro fator que contribuiu para o fim do vaudeville foi a grande quebra de 1929, o que atingiu em cheio a classe média americana, o principal público-alvo do vaudeville. Em 1925 haviam aproximadamente 1500 teatros no circuito vaudeville; em 1930, apenas 300 continuavam abertos. O circuito de teatros RKO que chegou a contar com 700 teatros, restou com apenas 5 oferecendo “apenas vaudeville”. O restante das casa fecharam ou passaram a exibir filmes.

Mesmo o vaudeville chegando ao fim, seu legado permanece: tranformar uma simples apresentação em um show digno de ser assistido é mérito do vaudeville e de todos que de uma forma ou outra contribuíram para o espetáculo. O “primo pobre da Broadway” marcou profundamente a cultura popular ocidental. Seus ecos são ouvidos ainda hoje.

Senhoras e senhores, uma salva de palmas ao vaudeville.

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BIBLIOGRAFIA

Site: Vaudeville, a dazzling display of heterogeneous splendor

Site: Boston Opera House

Site: Broadway 101

Livro: “Vaudeville Old & New. An encyclopedia of Variety Performers in America” – Vol. 1 de Frank Cullen.

Livro: “American Vaudeville as Ritual” – Albert McLean

Livro: “American Vaudeville as Seen by its Contemporaries” – Charles Stein

Este último livro não cheguei a ler, mas recebi fortes recomendações.

Livro:No Applause – Just Throw Money: The Book That Made Vaudeville Famous” de Trav S.D.

RESENHA – LIVRO “CARTER E O DIABO”

Capa do livro (Clique na imagem para ampliá-la)
Capa do livro
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RESENHA OFICIAL

A trama de Carter e o Diabo se desenrola na São Francisco da Era do Jazz, época em que os Estados Unidos vivenciavam uma relação apaixonada com a mágica e os ilusionistas. O romance inicia com o presidente dos Estados Unidos, Warren G. Harding, aceitando ser voluntário numa performance do mágico Charles Carter. A participação do presidente no show foi um sucesso até que, duas horas após o espetáculo, é encontrado morto num quarto de hotel. Conhecido como Carter, o Grande, um mágico muito talentoso, cujas habilidades equivalem à do lendário Houdini, o jovem era apaixonado por sua arte, inspirada pelo desespero e pela solidão. Com a morte do presidente, todo o país se pergunta o que de fato aconteceu durante o truque. Principal suspeito do assassinato, Carter precisa deixar o país e descobrir a verdade por trás da morte para limpar seu nome e salvar sua carreira, que já começava a ser ameaçada pelo cinema. Temperando a ficção com a dose certa de obscuros fatos históricos, Gold revela ao leitor o passado de Charles Carter, começando por seu interesse em mágicas e seus enormes esforços para tornar-se famoso e respeitado. A fuga do mágico e os diversos caminhos para a resolução do crime nos levam por uma viagem fascinante construída pelo autor: Carter é perseguido por agentes do FBI, apaixona-se por uma bela e cega mulher, trava um embate com um antigo rival, encontra piratas, cientistas e espiões.

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SOBRE O LIVRO

De forma bem resumida, “Carter e o Diabo” é sobre um grande mágico lutando contra um conglomerado do governo, corporações milionárias e sociedades secretas para descobrir a verdade sobre a misteriosa morte do Presidente dos EUA, em que Carter é o principal suspeito, contando com a ajuda de seu Leão de estimação. Posto desta forma o roteiro parece meio “disneyesco”, mas a verdade é que o livro uma mistura bem dosada de romance policial, biografia ficcionalizada e pitadas de humor. No entanto, fica claro ao longo do livro que o maior objetivo de Glen é recriar a era de ouro da mágica, coisa que ele o faz com extrema maestria.

Charles Carter (Clique na imagem para ampliá-la)
Charles Carter
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A história se passa na época de transição do vaudeville para a era da televisão. A mágica ainda estava no auge, mas com sinais claros que os tempos haveriam de mudar. Carter deve encarar essas mudanças ao mesmo tempo em que busca provar a sua inocência no caso da morte do Presidente Harding.

Presidente Theodore Harding (Clique na imagem para ampliá-la)
Presidente Warren Harding
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Além de Carter e do presidente Harding, outros personagens reais desfilam pelo livro. É o caso de Harry Houdini, Max Friz, fundador da BMW, Philo Farnsworth, o inventor da televisão, entre outros. E é essa mescla de personagens reais e eventos fictícios a grande sacada do livro.

Philo Farnsworth, inventor da televisão (Clique na imagem para ampliá-la)
Philo Farnsworth, inventor da televisão
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No tocante à mágica o autor consegue recriar o ambiente e a atmosfera do vaudeville com perfeição. A descrição dos números de mágica é rica e ao mesmo tempo objetiva. Mesmo para o leitor não familiarizado com a arte da ilusão, a leitura não é enfadonha. Segundo o próprio autor todas as mágicas descritas no livro foram baseadas em números reais, realmente executados por mágicos no passado, o que traz ainda mais brilhantismo ao livro. Os números são tão incríveis que beiram as raias do absurdo.

Por ser uma espécie de biografia, o enredo conta ainda com alguns saltos temporais, mostrando a infância de Carter, o seu encontro com a mágica e como a mágica tornou-se uma obsessão em sua vida e ao mesmo tempo a responsável por grandes tragédias que marcariam profundamente a personalidade de Carter.

O ponto forte do livro é também o seu ponto fraco: a mescla entre uma biografia ficcionalizada e uma novela policial acaba causando confusão no roteiro. Em alguns pontos do livro o autor parece não sabe qual das linhas seguir e acaba seguindo linha alguma. A quantidade de histórias paralelas também pode confundir o leitor. Não poucas vezes tive que voltar páginas para entender o que estava acontecendo, fato agravado pelos vários deslizes cometidos pela tradução do livro (alguns bastantes graves).

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IMPRESSÃO COMO MÁGICO

Como mágico é uma leitura que vale à pena. Poder conhecer o vaudeville (a raíz do que é hoje a indústria de entretenimento americana) e mais, poder sentir um pouco do que foi a era de ouro da mágica me fez ver a nossa própria arte com outros olhos. Além disso, a descrição do efeitos realizados por Carter são tão incríveis que beiram o absurdo. E mais absurdo ainda é saber que são mágicas reais que, de fato, eram executadas.

A impressão pós-leitura é que a arte mágica hoje perdeu a profundidade. Nós mágicos nos contentamos com números fáceis e, por falta de opção, o nosso público acabou se contentando também. Lendo o livro percebi o quão mais além a nossa arte pode ir.

Para exemplificar no Essential Magic Conference de 2011, Mike Caveney mostrou um vídeoonde ele executava o “Carter’s Million Dollar Mystery” no Magic Castle. Mike tem o equipamento original que pertenceu a Carter. O número é fantástico e causou nos presentes o mesmo efeito que causava há um século atrás. Aliás, Mike Caveney serviu de consultor para Glen David quando da escrita do livro, em especial no tocante à descrição dos efeitos.

Mike Caveney apresentando a ilusão original de Carter (Clique na imagem para ampliá-la)
Mike Caveney apresentando a ilusão original de Carter
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Recomendo fortemente a leitura.

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FICHA TÉCNICA

Título: Carter e o Diabo (Carter beats the Devil)

Autor: Glenn David Gold

Editora: Record

Ano: 2004

Páginas: 518

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Imagens e ideias para o formato do texto retirados do Blog do Viteck

TRÊS MULHERES QUE MUDARAM A MÁGICA PARA SEMPRE

O texto abaixo foi retirado do site “itricks.com” , traduzido e adaptado por mim. O link para o post original encontra-se ao final do texto. Qualquer dúvida ou problema, por favor, deixe nos comentários.

1. INTRODUÇÃO

Apesar do estereótipo da mulher na mágica ser o da bela assistente, muitas mulheres ficaram no centro do holofote. Mais importante ainda, foi o fato de várias mulheres haverem contribuído enormemente para a transição da mágica dos palcos de vaudeville para a era da televisão.

Os anos pós-vaudeville – dos anos 30 até o começo dos anos 50 – são considerados os “anos de prata” para a mágica (em oposição à era de ouro, anos antes). Além do nascimento da televisão, e de um novo e incrível meio para transmitir mágica, houve um grande aumento no número de publicações mágicas. Muito dos grandes nomes da mágica nesse período, como Harry Blackstone e Channing Pollock, são ainda conhecidos hoje em dia. Frequentemente, porém, é subestimado que, algumas das maiores contribuições da mágica nesse período – em especial na área de materiais impressos – foram feitos por mulheres.

2. DELL O’DELL

Dell O'Dell
Dell O’Dell

Para muitos fãs de mágica de meados do século 20, falar em uma mulher mágica, significa falar de Dell O’Dell. Nascida Nell Newton, ela veio de uma família circense e passava os verões dormindo em tendas durante as turnês, e o ano letivo em uma escola de garotas. Vivendo entre artistas, Dell aprendeu contorcionismo, como domar animais e truques de força que a levariam ao “vaudeville”. Enquanto lecionava sobre forma física, ela pontuava suas lições com demonstrações de força e de equilíbrio. Ela também se interessava por mágica desde a sua infância, quando seu pai empregava um mágico a cada temporada de shows, vindo ele mesmo a apresentar-se como mágico quando mais jovem. Aos poucos Dell foi mudando da “cultura física” para a mágica de palco. Foi pela mágica que ela atingiu o sucesso, excursionando por todo o Estados Unidos chegando a ter seu próprio show de televisão.

Dell O'Dell
Dell O’Dell

Dell O’Dell não só foi uma excelente “performer” – conhecida principalmente por seu texto repleto de belas rimas – mas também mostrou-se uma ótima mulher de negócios. Ela logo percebeu que “para ganhar dinheiro é preciso ter dinheiro” e investiu, não só em aparelhos e roupas, mas também em promoções e mesmo em um escritor profissional para o seus textos. Em meados dos anos 50 ela abriu sua própria loja de mágicas em Sunset Boulevard (a saber aquela rua cercada de palmeiras que vemos nos filmes e uma das mais glamorosas ruas de Hollywood). O fato de ser mulher trouxe a Dell alguns problemas com os gimmicks que eram especialmente desenhados para serem usados por homens em seus fraques. Seu marido, Charles Carrer, famoso malabarista, acabou por conseguir adaptar os aparatos para as roupas da esposa. Sobre isso O’Dell declarou: “Poucos mágicos têm maridos. E eles sã de grande ajuda.”

Dell teve um coluna na revista “The Linking Ring” por muitos anos (“Dell-lighfully Speaking”). Ela também publicou dois livros sobre mágica, e estrelou um programa na TV, “The Dell O’Dell Show”. Seu programa estreou em setembro de 1951 e tinha cerca de 30 minutos de duração – o dobro da maioria dos programas da época. Cabe salientar que este não foi o primeiro show de mágica na televisão; tampouco Dell foi a primeira mulher a apresentar mágicas na televisão, mas ela foi a primeira mulher com um programa de TV sobre mágica que não era direcionado ao público infantil. Ela também já se apresentara durante os dias “experimentais” da televisão, chegando por vezes a alegar ter sido a primeira mulher a fazer mágica na televisão.

3. GERALDINE LARSEN

Geraldine Larsen também dizia ter sido a primeira mulher mágica da televisão, graças a uma apresentação de demonstração feita em 1939 na Exposição Golden Gate. Assim que a TV começou a aparecer nos lares americanos, “Geri” estrelaria em “The Magic Lady” (A Dama Mágica). Esse programa infantil era televisionado originalmente para Los Angeles, porém logo ele foi vendido para outras estações de TV e Geraldine tornou-se reconhecida como uma espécie de fada-madrinha, tal qual sua personagem. Na vida real, a Dama Mágica foi uma espécie de fada-madrinha para a mágica pois dirigiu a revista Genii Magazine em suas primeiras décadas.

Quando ainda estava no colegial Geri foi escolhida como ajudante de um mágico em sua rotina de Aros Chineses. Encantado com a moça, o mágico William Larsen convidou-a para sair e acabou casando-se com ela. William tornou-se um advogado, mas cultivava um profundo amor à mágica e decidiu começar a sua própria revista de mágica em 1936. Foi um enorme desafio publicar uma revista e, ao mesmo tempo, manter uma carreira jurídica, mas Geraldine esteve ao lado do marido desde o início, apoiando-o. Ela foi a garota da capa da edição de Agosto de 1938 e também o rosto da primeira capa colorida da revista em Janeiro de 1955. William reconheceu o trabalho da esposa ao escrever que a revista não existiria sem o trabalho da esposa como mulher de negócios e assistente de edição. De fato, William revelou que ela havia publicado sozinha uma série de artigos no ano anterior quando ele estava atolado pelo seu trabalho como advogado. Ela também escrevia uma coluna mensal para mulheres mágicas chamada “Paging the Ladies”. Essa coluna não só mantinha os leitores atualizados no tocante às mulheres mágicas, assistentes e esposas de mágico, mas também apresentava para elas algumas receitas (talvez a única coluna regular sobre comida na história das publicações mágicas).

Genii Magazine de agosto de 1938

Após a morte do marido em 1953, Geri Larsen assumiu como editora-chefe da Genii (ela também viria a se casar ainda duas vezes mais: primeiro com o apresentador de televisão Art Baker, e em seguida com Rubin Jaffe). Antes disso, quando William largou a advocacia para se tornar um artista em tempo integral, ela já havia tomado conta de toda a revista – exceto da parte mágica – para ajudar o marido a evitar as políticas da indústria. Ela ainda encontrou tempo para escrever dois livros: “The Diary of a Magician’s Wife” (O Diário da Esposa de um Mágico) de 1941 e “Nothing Up His Sleeve, a Merry Melange of Mystery and Magic.” (Nada na Manga, Uma Feliz Mistura de Mistério e Mágica) de 1943. Como se não bastasse todas essas atividades, ela ainda foi presidente do “Magigals”, o único clube de mágica exclusivo para mulheres da época.

Genii Magazine, janeiro de 1955. Primeira capa colorida.
Genii Magazine, janeiro de 1955. Primeira capa colorida.

4. FRANCES IRELAND

Frances Ireland e seu marido Jay
Frances Marshall e seu marido Jay Marshall

Frances Ireland, também conhecida como Frances Marshall é frequentemente creditada como uma das fundadoras do Magigals. Assim como Gerri Larsen, ela foi levada ao mundo da mágica por seu marido, Laurie Ireland, em uma curiosa história. Quando ela acidentalmente trancou-se do lado de fora do escritório de entregas onde ela trabalhava, Frances Vandervier (nome de solteira de Frances Ireland) dirigiu-se a um alto cavalheiro da porta ao lado, e pediu-lhe que escalasse por uma janela aberta e destrancasse a porta pelo lado de dentro. Este heroico “resgate” de Laurie Ireland levou-o a contratar Frances para ajudá-lo com seus manuscritos de mágica e, eventualmente, levou ambos a se casarem. Ela gerenciou a “LL Ireland Magic Co.” por muitos anos, renomeando a empresa como “Magic Inc.” após a morte do marido. Frances Ireland se casou outra vez com Jay Marshall, de quem também adotaria o sobrenome.

Loja Magic Inc.
Loja Magic Inc.

Após sua incursão no mundo da mágica, pelo seu marido Laurie, Frances tornou-se uma das principais atrações da cena mágica de Chicago. Seu trabalho com a companhia do marido levou-a à sua própria carreira como mágica infantil, mas mais importante, deu-lhe a oportunidade de tornar-se uma das mais profícuas autoras. Ela foi colunista da “The New Tops”, da “Magic Manuscript”, chegando inclusive a ser editora da “The New Phoenix”. Mas ela provavelmente é mais lembrada pela sua coluna na “The Linking Rings” chamada “Around Chicago”. Ela também fez um grande trabalho lembrando para a indústria de produtos mágicos dos Estados Unidos, que a mágica não florescia apenas em Los Angeles e Nova York. Quando não escrevia suas colunas, Frances Ireland (Marshall) escrevia inúmeros livros, manuais, instruções, e panfletos para a “LL Ireland / Magic Inc.”. Desde cuidados com coelhos, até a rara arte da chapeugrafia, tudo o que envolvesse mágica, sobre isso Frances Ireland escreveu. Ela também escreveu as suas memórias na sua carreira como mágica, “My First Fifty Years: Being a Loosely Knit Remembrance of my Life in Magic from 1931 to 1981.” (Meus Primeiros Cinquenta Anos: Lembranças Remotas da Minha Vida na Mágica de 1931 a 1981).

Da esquerda para a direita: Frances Ireland Marshall, Jay Marshall, William Zavis, Wim, e Phil.
Da esquerda para a direita: Frances Ireland Marshall, Jay Marshall, William Zavis, Wim, e Phil.

5. CONCLUSÃO

Claro, essas são só algumas das muitas importantes e influentes mulheres dos anos de parta da mágica. Há muitas outras histórias para contar, como a de Celeste Evans, Nani Darnell e Carolyn Trask. É importante lembrar que enorme influência dessas damas quando lembrarmos da história da mágica e olharmos para o futuro.

6. BIBLIOGRAFIA

* Texto Original: iTricks.com

Imagens:

* All About Magicians

* Magicpedia [1] e [2]

* Blog da Coleção Especial Biblioteca Pública de Providence

* The Circus Blog

* Blog Chicago History

* Perfect Magic